[[legacy_image_341178]] A história de A Tribuna e a evolução da literatura brasileira tem uma relação da qual poucos jornais nacionais podem se gabar. Nas primeiras três décadas da República, com o auge do café, o apogeu do Porto e as imigrações, Santos era uma das principais praças literárias da Belle Époque. O romance mais influente daquela geração fora escrito por um mineiro radicado em nossa Cidade, Júlio Ribeiro, em A Carne, tendo Santos como cenário. Os dois poetas mais lidos eram santistas e colaboradores de A Tribuna: Vicente de Carvalho e Martins Fontes. Sem falar em Ribeiro Couto, que começou sua trajetória de poeta e romancista enviando versos a este jornal. Vicente e Ribeiro Couto seriam eleitos para a Academia Brasileira de Letras, mas antes deles, dois escritores radicados em Santos e membros da ABL também percorreram a redação santense: Inglês de Souza e Garcia Redondo. Redondo, contista e dramaturgo no Rio, fora deslocado como engenheiro responsável pelo Teatro Guarany e nossa Alfândega. O mais curioso nessa longa e boa cumplicidade de A Tribuna com nossas letras se dá por volta de 1917, quando o poeta Menotti Del Picchia vem chefiar a redação, alternando o fechamento das edições com as noites no Miramar. Menotti era estrondoso sucesso com Juca Mulato. A partir daqui, faz as conexões entre Mário e Oswald de Andrade para a revolução que foi a Semana de 22. Grande parte de suas memórias em A Longa Viagem é o relato de sua vida santista. Curioso que o mais ardente opositor do modernismo era também um escritor e jornalista de A Tribuna, Galeão Coutinho, que se escorava no anonimato de um pseudônimo: Cândido. O segundo grande ato da ribalta literária de A Tribuna coincidiria com a sabedoria de Nascimento Jr. e Giusfredo Santini em contratar para editor-chefe, nos anos 50, um dos intelectuais mais atuantes no jornalismo brasileiro: Geraldo Ferraz, que traria uma velha amiga da Cidade, Patrícia Galvão. Lendo os livros da professora Lúcia Teixeira dimensionamos valor de Pagu para os novos rumos estéticos brasileiros a partir de sua trincheira no diário da General Câmara. Além de Pagu, naquele período, o jovem compositor Gilberto Mendes iniciaria colaboração de 60 anos com A Tribuna. Cassiano Nunes e Miroel Silveira escreviam para o jornal, pioneiros da crítica literária e de teatro que foram, Cassiano professor da UNB e Miroel criador da ECA-USP. Desse burburinho pensante surgiriam o Festival de Teatro Amador que descobriu Plínio Marcos e Zé Celso e a campanha para criação do Teatro Municipal. Importa lembrar que o jornal tinha um departamento cultural e esse departamento coincidia na sua composição com a Comissão de Cultura da Cidade, com figuras como Roldão Mendes Rosa e Cid Marcus. Sucedendo a essa fase, registro Juarez Bahia, paradigma de jornalista na militância e na pedagogia, e para nossa felicidade o jovem Carlos Conde, que ainda nos brinda com suas preciosas crônicas, perpetuando a tradição de jornalista literato que A Tribuna tanto honra. Claro que esta história com a literatura não cessa nos anos 60, mas novos talentos que começaram aqui pedem outros artigos, nos próximos 130 anos de colaboração das letras e seu exitoso jornalismo. Aproveito indicar dois magistrais contos, escritos por dois imensos escritores que muito colaboraram para o aniversariante : Tempo da Camisolinha, de Mário de Andrade, e Um Feriado, de Nair Lacerda. Salve A Tribuna!