(FreePik) Já está mais do que demonstrado que o QI (Quociente de Inteligência) não tem relação direta com genética. O que realmente pesa na balança são fatores muito mais práticos: ambiente, nutrição e, sobretudo, educação. Ao pesquisar um pouco sobre o assunto, encontrei um dado que merece atenção. O QI médio dos brasileiros caiu de 87 para 83 nos últimos dez anos. Para efeito de comparação, a média mundial é 100. Outra curiosidade histórica apareceu no caminho. Os testes de medição de QI só surgiram em 1904, mas estudos retrospectivos indicam que, durante boa parte do século 19, a situação socioeconômica média do brasileiro acompanhava de perto a média mundial. Apesar de uma queda na última década, no início do século 20, os indicadores voltaram a melhorar, acompanhando o resto do mundo. Muito provavelmente isso se deveu a avanços em nutrição, saneamento básico e expansão da escolaridade. Entre 1930 e 2015, o QI médio brasileiro caiu cerca de 9,2 pontos. Já nos últimos dez anos, a redução foi de 87 para 83, uma perda de quatro pontos em tempo recorde. Em outras palavras, demoramos 85 anos para perder pouco mais de nove pontos e apenas uma década para perder quase a metade disso. O dado é preocupante, sobretudo porque não parece despertar grande preocupação entre os governantes. Pelo contrário, continuam sendo incentivados modelos educacionais cujos resultados, na prática, deixam muito a desejar. O ensino público tem apresentado níveis de qualidade alarmantes. Basta observar a posição do Brasil em avaliações internacionais como o Pisa. A impressão é que o problema não se limita à matemática. Ele se espalha pela gramática e, naturalmente, pelas ciências. Há exceções, claro, e a maioria delas está no ensino privado. Tive um exemplo curioso disso algum tempo atrás, em uma conversa informal com jovens de classe média que estudaram em uma escola particular de São Paulo. Entre as leituras obrigatórias deles estava um livro de Goethe. O escritor alemão talvez seja conhecido de quem passou por certas escolas privadas, mas arrisco dizer que a maioria dos alunos do ensino público provavelmente jamais ouviu falar dele. No fim das contas, a pergunta que fica é simples e desconfortável. Quando começaremos, de fato, a nos preocupar com a queda do QI médio, com a qualidade do ensino, com a infraestrutura educacional e com algo que parece ter ficado pelo caminho: o compromisso sério com o futuro do país. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor