A formação de um El Niño intenso entre o fim de 2026 e o início de 2027 reforça um ponto importante: enfrentar eventos extremos já não é responsabilidade exclusiva dos governos. O setor privado possui papel decisivo na construção de respostas resilientes diante de cenários de pressão hídrica e impactos para populações e negócios. Historicamente, o fenômeno provoca secas, ondas de calor, enchentes e pressão sobre o abastecimento. No Brasil, isso inclui a redução de chuvas no Norte e Nordeste e maior instabilidade climática. O efeito atinge diretamente a economia, a indústria e a continuidade das empresas. A diferença é que hoje dispomos de consciência climática, capacidade técnica e tecnologia para prever riscos. Modelos avançados e soluções de captação, tratamento e reúso permitem que empresas se preparem para enfrentar a escassez, reduzindo a dependência da água potável pública. Durante muito tempo, a segurança hídrica esteve concentrada nas discussões públicas sobre infraestrutura. Esse debate continua fundamental, mas cresce a percepção de que o setor privado precisa assumir protagonismo, especialmente em setores intensivos em consumo hídrico, com a adoção de modernos sistemas de tratamento e reúso. Essa preparação atende a dois objetivos. O primeiro é garantir maior resiliência operacional. Em setores como indústria e agronegócio, a indisponibilidade hídrica pode comprometer operações e gerar perdas relevantes, fazendo com que soluções de reúso garantam previsibilidade, eficiência e continuidade operacional. O segundo é de impacto social: quando empresas reduzem sua dependência de água potável do sistema público, ajudam a diminuir a pressão sobre o abastecimento urbano nos momentos em que a população mais precisa. Preparar operações para o estresse hídrico significa preservar água para o consumo humano. Essa convergência entre eficiência, responsabilidade ambiental e estabilidade social explica por que a água passou a ocupar posição estratégica nas agendas de ESG e gestão de risco. O debate sobre o El Niño e a emergência climática deve priorizar a capacidade de estarmos preparados para enfrentá-los. A tecnologia e o conhecimento técnico existem. A questão é como transformar previsibilidade em resiliência real para empresas e para a sociedade. *Diretor-presidente da Opersan