Prova do Dia do Desafio altera trânsito de Santos (Matheus Tagé/AT) Do alto dos seus 479 anos, Santos é referência em qualidade de vida. Com o sexto melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País e o terceiro do Estado, se destaca também em vários indicadores apurados por organizações que avaliam o crescimento econômico e social das cidades. O avanço no desenvolvimento sustentável da cidade é garantido com novos investimentos na infraestrutura urbana e em programas para saúde, educação, habitação, mobilidade urbana e outras áreas vitais. Há desafios há vencer, claro, e o trânsito é um deles. Consolidada urbanisticamente e com forte verticalização, a Cidade não dispõe de muitas alternativas para o sistema viário. Nos 39 quilômetros quadrados da área insular vive a maior parte dos 429.567 habitantes, sendo dois terços deles residentes em prédios, de acordo com dados divulgados pelo IBGE em 2024, o que a classifica como a mais verticalizada do País, proporcionalmente. Já a frota do Município ultrapassa a marca de 289.683 veículos, com média de 1,5 habitante por veículo, mas a circulante é muito superior. Só pela travessia de balsas, em média, 22 mil veículos chegam à Cidade diariamente. Vindo do Planalto, são mais 10 mil caminhões por dia, em média. O detalhe importante é que dos 776,15 km de extensão de vias santistas, a maioria tem até 6 metros de largura, 21% possuem entre 6 e 8 metros, enquanto apenas 12% vão de 8 a 11 metros. No segundo grupo estão, por exemplo, as avenidas Conselheiro Nébias e Pedro Lessa e as avenidas dos canais. Já o terceiro conta as avenidas Ana Costa, Afonso Pena e Nossa Senhora de Fátima e a Rua João Pessoa. Considerando que, em condições especiais, admite-se faixa de rolamento com largura mínima de 2,5 metros, raras são as vias passíveis de reorganização de forma ganhar mais fluidez, sem prejuízo para segurança dos usuários. Para enfrentar os desafios na gestão do trânsito, a CET-Santos tem trabalhado principalmente com planejamento e tecnologia. Sabemos que a responsabilidade por um trânsito seguro é compartilhada por quem projeta, constrói, gerencia, fiscaliza e por aqueles que usam as vias e os veículos. Por isso, é fundamental a participação da sociedade. É preciso estar atento, respeitar as normas e mudar comportamentos que se observam ao longo dos anos, como o motorista que não segue adiante no momento da abertura do semáforo porque está olhando o celular. O tempo perdido já impacta na fluidez. O mesmo vale para os pais que fazem fila dupla para deixar os filhos nas escolas. Ou o motorista que fecha os cruzamentos na mudança semafórica. Outra questão prioritária é o respeito à travessia de pedestres, como ocorre em várias cidades e que precisa existir, de fato, em Santos, onde quase 20% da população tem mais de 65 anos. A Cidade, que já é referência em qualidade de vida, certamente ficará ainda melhor com um trânsito cidadão, que respeita a vida. *Engenheiro e diretor-presidente da CET-Santos