(Imagem ilustrativa/Gerada por IA) Ousamos apresentar um escorço bibliográfico sobre uma obra literária de autoria do fundador e patrono da Cadeira Número 13 da Academia Brasileira de Letras (ABL), Alfredo Maria Adriano d’Escragnolle Taunay (1843-1899), Visconde Taunay, destacando-o como 2º tenente de artilharia e secretário militar das operações bélicas que envolveram o Brasil, a Argentina e o Uruguai, na chamada Guerra da Tríplice Aliança (1869-1870). Sua fantástica obra literária, A Retirada da Laguna, descreve a operação militar ocorrida na parte sul do atual Estado de Mato Grosso do Sul e encontra-se disponível na Biblioteca Virtual do Senado Federal, volume 149. Taunay descreve com minúcias o retraimento da tropa brasileira desde a fronteira com o Paraguai até a pequena vila de Nioaque, perseguindo-a por cerca de 300 quilômetros por terra e águas pantaneiras disputadas pelos índios guaranis, que apoiavam os paraguaios, e os índios guaicurus, que apoiavam os brasileiros. Conhecidos atualmente como Voluntários da Pátria, os soldados brasileiros alcançaram a região de Laguna, na fronteira, expulsando assim, as tropas paraguaias de Solano López, as quais contra-atacaram a tropa brasileira em operação militar que acabou por se tornar a maior epopeia militar da América do Sul, muito bem descrita por Taunay no seu Diário do Exército – Campanha do Paraguai. O livro escrito originalmente em francês (1871) e traduzido para o português em 1872, por solicitação do governo imperial aborda a epopeia da tropa brasileira, conhecida como “Voluntários da Pátria”, ocorrida entre a pequena vila de Laguna, no Paraguai, e a vila de Nioaque no Brasil, distantes cerca de 350 km pelo Pantanal ainda virgem naquela época. A expedição militar foi organizada no Rio de Janeiro, capital do Império, tinha por objetivo expulsar as tropas paraguaias que invadiram o Mato Grosso em ação militar “dissuasória”, visando enfraquecer o esforço da tropa brasileira nas operações ao sul do Brasil, onde o Paraguai tentou sim, obter uma saída para o Oceano Atlântico na região da Bacia do Rio da Prata. A busca paraguaia por uma saída para o mar motivou a reação do Brasil, da Argentina e do Uruguai, por meio da chamada Tríplice Aliança, com operações militares encerradas no dia 1 de março de 1870, em Cerro Corá, onde faleceu o ditador paraguaio, Solano López. Finalizando este pequeno relato histórico pouco conhecido, tomamos a liberdade de incluir uma colocação pessoal, pois a lembrança de dois anos no comando da guarnição de Nioaque foi a motivação maior para rememorar alguns fatos que julgamos significativos, descritos no livro original disponível no portal do Senado Federal. Ou seja, a oportunidade de encerrar em Nioaque os meus 35 anos de serviço ativo no Exército Brasileiro, após comandar o 9º Grupo de Artilharia de Campanha, na região pantaneira onde ocorreu a epopeia vivida e descrita pelo Visconde de Taunay. *Elcio Rogerio Secomandi. Ex--comandante do 9º GAC, Nioaque, MS (1986/1987), titular da Cadeira Número 4 – Visconde de Taunay, do Instituto Histórico e Geográfico de Santos e Professor Emérito da Universidade Católica de Santos.