(FreePik) Platão (428 a.C.-347 a.C.) nos deixou grandes ensinamentos na sua obra A República, na qual ele analisa o poder de mando a partir de diferentes situações hipotéticas vividas pela tripulação de um navio a vela, complementando-as com um conjunto de ideias-força bastante exploradas atualmente pelas organizações sociais modernas. Desenvolveu na sua obra literária um pensamento dialético apropriado para se alcançar “a realidade à luz de posições contraditórias, uma das quais acaba por ser compreendida como verdadeira e a outra falsa”. Suas colocações sobre a condução de um navio a vela nos permitem destaca-las como: “pessimista”, com a tripulação apenas se queixa do vento e nada faz; “otimista”, quando todos decidem apenas esperar o tempo melhorar; e, por fim, a “realista”, quando buscam ajustar as velas de acordo com o vento que está soprando. Porém, conclui: não há vento favorável para quem não sabe para onde ir. Platão discorre sobre um regime ideal para o governo de um país, por meio de uma busca da realidade a partir de fatos centrados em posições contraditórias, que podem caminhar para um conflito direto ou uma conciliação. Hoje em dia esta busca pela realidade dos fatos se desenvolve a partir de uma análise hipotético-dedutiva centrada em um conjunto de elementos essenciais: “se“, como hipótese básica; “e“, um acréscimo às considerações básicas; resultado esperado; “mas“, dependências que influenciam o resultado esperado; e “portanto“, concluindo o processo. A análise hipotético-dedutiva nos permite analisar diversas soluções para problemas contraditórios, os quais, muitas vezes, podem gerar uma “imagem” negativa e gratuita de uma pessoa ou de uma instituição permanente, por exemplo. Talvez seja mais elucidativo analisar a situação vivida por um amigo de longa data que não recebeu o Prêmio Nobel – seria o primeiro do Brasil – por conta da “investigação” normal que é feita pelos conselheiros do prêmio junto a pessoas influentes e autoridades brasileiras, no caso. Infelizmente, muitos de nós temos o péssimo habito de elogiar as pessoas, acrescentando um “mas” interrogativo que influencia o resultado esperado, deixando por conta do interlocutor o “portanto” do processo analítico. * Elcio Rogerio Secomandi. Professor emérito da UniSantos e membro da Academia Santista de Letras.