A entrada em vigor das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que obriga o mapeamento e o gerenciamento de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), marca um divisor de águas no mercado corporativo. Longe de ser apenas uma formalidade burocrática, a legislação brasileira agora exige que as organizações olhem para a saúde mental não como um benefício opcional, mas como uma obrigação legal de segurança do trabalho. Os números que justificam essa intervenção estatal são alarmantes. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 12 bilhões de dias úteis sejam perdidos globalmente todos os anos devido à depressão e ansiedade no ambiente laboral, gerando um prejuízo anual de aproximadamente US\$ 1 trilhão à economia mundial em perda de produtividade. No Brasil, os transtornos mentais e comportamentais já figuram como a terceira principal causa de concessão de auxílio-doença e afastamentos previdenciários. Nesse novo cenário, mitigar riscos como estresse crônico, sobrecarga mental e assédio exige ir além de diagnósticos frios. É preciso fortalecer o que a ciência chama de Capital Psicológico (PsyCap) — composto por autoeficácia, otimismo, esperança e resiliência. Pesquisas recentes revelam que o bem-estar no trabalho e o desenvolvimento dessas capacidades psicológicas são os maiores preditores na redução da intenção de rotatividade (turnover) dos colaboradores. Ambientes psicologicamente seguros além de impacto positivo na sua saúde mental dos colaboradores geram engajamento e retêm talentos No entanto, a engrenagem que viabiliza essa transformação é a liderança. Os líderes são os principais agentes de mudança e a primeira linha de defesa contra os riscos psicossociais. Preparar essas lideranças para identificar sinais de esgotamento, equilibrar a pressão por metas e promover a escuta ativa é o único caminho viável para cumprir a lei e, ao mesmo tempo, construir empresas saudáveis, sustentáveis e produtivas. Para o bem-estar social, líderes devem saber o que fazer — como promover apoio e feedbacks construtivos — e o que não fazer. Essa clareza é vital ao lidarmos com as novas gerações, cuja integração desafia gestores que ainda carecem de habilidades para mediar suas expectativas de imediatismo e flexibilidade com impactos diretos no atendimento a exigencias da NR1, agora com os aspectos psicosocias presentes. *Mestre em Psicologia