[[legacy_image_306961]] Em 2037, ao lado de uma advogada, uma interface holográfica projetada por uma inteligência artificial cataloga casos, analisa precedentes e traz insights preciosos para o preparo de argumentos. Tudo com a precisão da tecnologia e a empatia inerente ao ser humano. Os algoritmos foram constitucionalizados: a Constituição se adaptou para criar estruturas nas quais estes somente existem e permanecem mediante a garantia de proteção dos direitos fundamentais humanos e planetários. Os tribunais, um dia conhecidos pela morosidade, agora são epicentros de eficiência, com questões resolvidas rapidamente, graças à sintonia perfeita entre a rapidez tecnológica e a necessidade humana de resolução. Somos tão paradoxais a ponto de um cenário como este, inatingível, nos causar, ao mesmo tempo, estranheza e esperança. Ainda que utópico, nos faz refletir sobre suas possibilidades. Futuristas — indivíduos que antecipam futuros a partir de tendências atuais — auxiliam no preparo de novos tempos para o Direito. Imagine esses profissionais identificando fenômenos emergentes e propondo remodelações nas práticas e estruturas jurídicas obsoletas; imagine-os com amplo conhecimento jurídico, filosófico, tecnológico e estratégico, se debruçando em soluções aos desafios globais, que não param de crescer. Nossa realidade é complexa, definida pelo Fórum Econômico Mundial como policrise: ameaças à cibersegurança global, mudanças climáticas, migração de povos pela sobrevivência, direitos fundamentais e humanos clamando por adaptação ao contexto digital, efeitos globais das novas tecnologias, entrelaçamento dos algoritmos na manifestação do pensar, do agir, do conhecer humano, afetando todas as gerações. Além disso, a ruptura de fronteiras entre o físico e o digital e a composição de uma realidade híbrida produzem mudanças culturais profundas, não percebidas, tampouco comparáveis com a era analógica pelos nativos digitais, que dela não fizeram parte. Muitas respostas ainda não foram construídas para uma realidade que já se apresenta, de modo que a prática de antecipar futuros não visa prever exatidão e sim mapear uma diversidade de cenários possíveis a partir de ampla gama de conhecimentos conectados. Na esfera jurídica, explorar essa variedade é um desafio aos profissionais do Direito para que adotem postura proativa, antecipando-se às mudanças. Considerando que futuristas ajudam organizações, governos e indivíduos a se preparar para o futuro, a fim de tomar decisões mais assertivas no presente, como seria se profissionais que lidam com a arquitetura social assumissem o papel fundamental na identificação dos fenômenos emergentes a partir da análise de macrocenários, observando mudanças recorrentes e movimentos novos dentro de um contexto, que pode ser de dez anos ou mais? Poderemos, a partir dessa visão, redefinir práticas obsoletas e aprender formas de explorar essa gama de possibilidades, a partir de uma mentalidade altamente adaptável para construir novas soluções jurídicas do século 21. Libertemos nossas mentes para desafiar o convencional, pensar além do possível e criar futuros extraordinários para o Direito.