[[legacy_image_268650]] A natureza é o tema central da Semana Mundial do Brincar, que acontece de hoje até 30 de maio, em mais de 40 países, incluindo o Brasil. A campanha, que busca sensibilizar a sociedade para a importância do brincar na infância, desta vez acrescenta o ambiente natural como espaço educador, essencial para o pleno desenvolvimento infantil. Há que se reconhecer que as cidades estão menos verdes e menos amigáveis para a criança. Se o assunto for levado para o ambiente escolar, não é muito diferente. A Semana do Brincar 2023 tem o mérito de trazer à luz os cuidados e conexões que devem ser ofertados na infância e propõe um necessário repensar sobre os espaços de evolução oferecidos aos pequenos. O tema A natureza no brincar destaca a importância de a criança ser e estar integrada como parte natural do contexto. Não há tempo a perder, porque é entre 0 e 6 anos de idade que ocorrem as maiores aberturas de janelas cognitivas para o desenvolvimento social e emocional. É também a fase de amplas possibilidades de descobertas e de construção de conhecimentos, que serão perpetuados vida afora, permeados por memórias afetivas. A natureza é inspiradora na arte de brincar e de possibilitar a expansão de habilidades motoras, a autonomia na exploração de ambientes e elementos, o estímulo à criatividade e à lapidação da sensibilidade. Durante o brincar, a criança tem a oportunidade de sentir, perceber e valorizar o meio natural. E o que representa isso se não a semente de um mundo melhor? É chegado o momento de desemparedar a educação, sair das salas de aula, do sistema de mesas e cadeiras e proporcionar à criança a interação com o meio em que vive. O corpo infantil precisa de liberdade para se expressar, em busca do próprio reconhecimento como ser humano e, acima de tudo, como parte integrante da natureza. As possibilidades são amplas, de acordo com a idade: pesquisas, coleta de materiais, investigações, invenções, conexões com familiares, passeios e uma infinidade de outras atividades que permitam enfrentar situações e aprender com elas. Tudo isso com muita interação, integração e toda a aprendizagem que o convívio proporciona. O simples pode ser extremamente lúdico e envolvente: observar o céu, as nuvens, o sol, a chuva ou os pássaros. Os sons que os animais emitem podem gerar encantamento, propiciar sutilezas e promover delicadezas, em um desencadear de sensações que integram a criança à sua essência, ao seu eu, ao seu ser. O contato com o mundo natural se faz necessário para a integralidade do ser. O livre brincar é de uma extensão imensa: envolve a desenvoltura do pensamento, da fala, do raciocínio, da socialização, da concentração, do senso de observação, da reflexão e até da análise dos fatos. Vivenciar e experienciar a infância na natureza, abrir portas para além daquelas físicas, que são abertas com a chegada das crianças às escolas, eis os caminhos para uma educação libertadora. Aquela educação que, como definiu Paulo Freire, “faz o futuro parecer um lugar de esperança e transformação”. Que as unidades de educação infantil possam ser espaços acolhedores de pertencimento, liberdade, experimentação e criatividade, contribuindo para a construção de um ser humano livre e de um mundo mais humanizado.