(Freepik) Percebemos o quanto um povo tem consciência de sua cidadania, de seu civismo, quando honra o seu passado e seus vultos que ajudaram a construir a família, a cidade, a nação. Um povo sem memória de seu passado é um povo frágil, sem alicerces, algo que o compromete na defesa de seus deveres e direitos! A equivalência se dá a nível de personalidade humana. Como psicólogo, observo que a falta dos alicerces parentais compromete a segurança, a determinação e a autoestima do agir, do existir. Um fato recente em nossa cidade de Santos ilustra o amadurecimento cívico, a partir de muitas solicitações do nosso Movimento. Assim, há três anos, foi construído e instalado o Memorial José Bonifácio, na Praça Mauá, com toda a pompa e circunstância a que um herói pátrio é merecedor! Por razões técnicas, um ano após, o mesmo foi fechado (e lá se vai mais de uma ano), pura e simplesmente e abandonado, numa demonstração de que alguma coisa está errada. Lá foi inaugurado, por certo, por vontade do povo e do poder público, e essa situação atual nos parece uma profanação a uma figura nacional da maior importância. Com essa manifestação, que ora fazemos, pedimos que, no menor prazo possível, as autoridades competentes revejam e sanem os problemas que levaram ao fechamento. E, enquanto isso não acontece, que seja mantida uma guarda de honra, com um painel elucidativo, demonstrando o que representa o espaço que é sagrado. Se for algo de caráter irreversível, que o Memorial seja instalado em outro logradouro, desde que de fácil acesso e que possa ser visitado, não só pelos moradores da Baixada Santista, mas pelos turistas, como um ponto de interesse histórico e cultural da nossa cidade e do Brasil. E aproveitamos para sugerir que, se nesse mesmo local de então ou em outro espaço, que a reinstalação conte com informações com datas de vida e morte de José Bonifácio de Andrada e Silva e os títulos que recebeu em toda a sua trajetória de luta, como homem cívico. Rememorando o destaque e o resgate que queremos dar, em Santos temos dois outros ícones cívicos de caráter nacional da maior relevância e em nome desse santista emérito - o Pantheon dos Andradas, na Praça Barão do Rio Branco, e o Monumento aos Andradas, na Praça Independência. O terceiro, o Memorial José Bonifácio, que recebeu o aval da municipalidade, em um passado recente, precisa voltar a compor esse quadro de locais comemorativos aos feitos do cidadão, que viveu à frente do seu tempo e que muito contribuiu para o engrandecimento das pesquisas sobre geologia e nas matérias sobre direitos humanos, defensor da abolição da escravatura, inspirado no iluminismo, sendo um verdadeiro progressista e reconhecido em outros países, em especial em Portugal e até nos Estados Unidos, onde conta com monumento em Nova Iorque, em uma praça pública. Que o poder público se manifeste! *Arlindo Salgueiro. Psicólogo e presidente do Movimento Pró-Memória de José Bonifácio