Imagem ilustrativa (Reprodução) A mão que bate é a mesma que acalenta. O tempo passa muito rápido, como a brisa no rosto, em um dia de calor na Praia do Itararé. São atos marcantes que a memória não apaga e nem o tempo consegue esquecer. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Hoje, passados 70 anos, minha memória faz lembrar de certos fatos de minha infância, quando morava na Vila Belmiro, próximo ao Canal 1 nos meus 7 ou 8 anos. A diversão era pegar ingás nas calçadas do Canal 1. Até aí, nada mal, porém o que minha mãe desconhecia era o pior que a gente fazia: subia nas árvores e ficava dependurado em galhos envergados ou para a avenida, com os carros e ônibus passando embaixo. Ou do outro lado com o canal aos nossos pés. Em caso de uma queda, seria melhor cair no canal. Após a trágica colheita, distribuía ingás para quem passasse na rua, além de saborear também, e levava para a minha mãe, que adorava e apreciava essa fruta, não perguntando: “Como foi a colheita?”. Ainda bem. Creio que todas essas atitudes perigosas tinham a proteção de minha mãe, que muito católica rezava para os filhos. Porém, de todas as artimanhas e brincadeiras disponíveis nas décadas de 1950 e 1960, como jogar futebol na rua, subir no alto do Morro do Marapé para pegar coquinho Brejaúva e voltar com as pernas machucadas pelos espinhos e, enfim, sempre recebendo os elogios de minha mãe. Outro fato marcante era pegar carona nos bondes. Quando o cobrador vinha ao nosso lado, a gente corria para o lado oposto até o bonde parar. Às vezes chegava todo ralado, estava aprendendo a descer do bonde andando, recebia broncas de minha mãe, que logo vinha com o vidro de mercúrio e algodão, ardia que só diabo, dizia ela: “Se arde é para sarar...” Certa vez, após um jogo de futebol na rua, ainda de terra, cansados e suados, um calor escaldante, não como os dias atuais, resolvemos conhecer a praia. Saímos do curvão do Canal 1 e fomos a pé até a praia. Tomamos banho de mar e após algumas horas retornamos pelo mesmo caminho. Estava calor e logo nossas roupas estavam secas. Chegando em casa, fui indagado pela demora. Minha mãe notou algo estranho em mim, talvez vermelho do sol, e disse: “Vá logo tomar um banho, já vou levar a toalha e suas roupas”. Entrei no banheiro e logo minha chegou. Notei que não trazia toalha e nem roupas, apenas uma cinta, e fechando a porta com a chave... tomei a maior surra da minha vida com a cinta. Ela dizia: “Você nunca mais vai esquecer essa data”. Era 2 de dezembro, o ano não lembro. Naquela época não tinha o ECA. Ela dizia que sabia que eu tinha ido à praia e poderia acontecer o pior, e também ter mentido para ela. Aprendi muitas coisas na vida, e hoje dou graças a Deus pela mão divina de Dona Catharina.