(Reprodução/Maria Giovanna Clementi) Não, este texto não é sobre Pedro, que nasceu Simão, pescador antes de se tornar apóstolo, primeiro papa, detentor do mais longo pontificado da História. Não há espaço para seus feitos numa modesta crônica. Também não é sobre Pedro 1°, nosso primeiro imperador. Aliás, é sim sobre Pedro 1°, mas outro, o russo, conhecido como Pedro, o Grande (1672-1725) – provavelmente não tão evoluído na alma quanto o apóstolo, mas igualmente possuidor de méritos. Foi czar da Rússia e, depois da vitória na Grande Guerra do Norte contra a Suécia, tornou-se imperador. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ainda como czar, realizou, incógnito, uma expedição de 18 meses pela Europa, que chamou de Grande Embaixada. Durante esse período, trabalhou como marinheiro e carpinteiro, estudou anatomia, cirurgia e se arriscou em outras áreas do conhecimento. Ao retornar à terra natal, levou centenas de profissionais qualificados, pinçados no ocidente do continente. Sua pretensão – ao que indicam os registros históricos, bem sucedida – era a de modernizar a Rússia. Reza a lenda que, ao ser questionado por líderes europeus sobre a fórmula para ter se tornado um grande estadista, teria revelado: “Não sou um grande homem, mas tenho grandes homens ao meu lado”. Por romper com o paradigma da exclusividade de nobres ocuparem cargos estratégicos na administração pública e passar a nomear técnicos, não seria exagero chamá-lo de “pai da meritocracia estatal”. De lá para cá, políticos do mundo inteiro têm percebido que, munidos de corpo de funcionários técnicos nos mais altos escalões do governo, é possível colher eficiência e muitos votos nas urnas. Pelo País afora, testemunhamos raros espasmos nesse sentido, pipocam alguns poucos políticos com essa clareza. No atual governo pindoramense, a falta de qualidade técnica em cargos estratégicos se revela em norma editada para controle do Pix, em seguida, revogada, e em norma prevendo a majoração da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), imediatamente após, parcialmente revogada. Outro episódio de amadorismo se desvenda na roubalheira no INSS: há corrupção no mundo inteiro, mas a demora de anos em estancar a sangria é exclusividade nossa. E fica a impressão de que o governo vem se preocupando em alocar corpo técnico qualificado apenas na área de comunicação. Porém, quando inexistem resultados expressivos a serem apresentados, não há metodologia de propaganda e marketing que dê jeito.