A infância é a primeira escola de trânsito. Se fosse possível reduzir significativamente os acidentes de trânsito sem instalar um semáforo ou modificar uma lei, você acreditaria? Pode parecer improvável, mas a resposta pode estar na forma como o cérebro aprende. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos últimos anos, a palavra neuroplasticidade ganhou espaço nas pesquisas científicas. Trata-se da capacidade que o cérebro possui de criar e reorganizar conexões de acordo com aquilo que vivemos e repetimos. Em outras palavras: quanto mais praticamos determinado comportamento, mais automático ele se torna. Essa descoberta ajuda a explicar por que a educação para o trânsito precisa começar muito antes da primeira aula de direção. E não é por acaso que os hábitos adquiridos na infância costumam acompanhar a pessoa por toda a vida. Quando uma criança cresce aprendendo que deve atravessar na faixa de pedestres, ela está fortalecendo redes do cérebro que, no futuro, poderão transformar esses comportamentos em hábitos naturais e automatizados. Porque o cérebro aprende pela repetição. As conexões utilizadas com frequência tornam-se mais eficientes e resistentes. Já aquelas que não são estimuladas enfraquecem com o tempo. É justamente por isso que campanhas educativas permanentes são tão importantes: elas mantêm vivos os comportamentos que desejamos transformar em cultura. A lógica também funciona no sentido contrário. Maus hábitos, quando repetidos, tornam-se mais difíceis de abandonar. Hoje, afivelar o cinto de segurança parece um gesto automático. No entanto, quando seu uso se tornou obrigatório, houve resistência. E foram necessários anos de campanhas educativas e fiscalização até que aquele comportamento fosse incorporado. É exatamente por isso que diversas cidades vêm investindo em programas permanentes de educação para o trânsito nas escolas, utilizando teatros, palestras e experiências práticas. E Santos é exemplo desse trabalho contínuo, desenvolvendo ações que acompanham os estudantes desde a Educação Infantil. Talvez o maior equívoco seja imaginar que a educação para o trânsito começa aos 18 anos, quando alguém procura um centro de formação de condutores. Quando esse momento chega, boa parte dos hábitos já está construída. A neuroplasticidade continua existindo na vida adulta, mas mudar comportamentos consolidados pode exigir mais esforço do que aprender corretamente desde o início. A ciência confirma aquilo que a educação sempre defendeu: os hábitos mais duradouros são construídos na infância. Se queremos um trânsito mais humano amanhã, precisamos começar a formar, hoje, as mentes que irão conduzi-lo.