(Luigi Bongiovanni) Nas redes sociais, muitas cidades parecem perfeitas. Fotos coloridas, vídeos bem produzidos e discursos ensaiados criam a sensação de que vivemos em locais modernos, organizados e eficientes, mas a realidade que a população enfrenta todos os dias é bem diferente daquilo que aparece nas telas. Enquanto os perfis oficiais exibem obras pontuais e um futuro promissor, as ruas revelam a precariedade dos serviços públicos, o abandono de bairros inteiros e a desigualdade entre áreas nobres e periféricas. O desenvolvimento de uma cidade não pode se restringir a uma vitrine. Uma cidade só se torna justa quando cada bairro, do centro às regiões mais afastadas, recebe atenção e investimentos proporcionais. A população precisa estar atenta a políticos ambiciosos que usam a máquina pública não para transformar a realidade, mas para alimentar seus próprios grupos políticos e projetos de poder. Esses gestores constroem narrativas digitais para esconder problemas concretos. Fogem dos debates públicos, evitam encarar os desafios de frente, preferem o conforto dos gabinetes e rejeitam qualquer diálogo transparente com a sociedade sobre os rumos da cidade. Não podemos esquecer também o papel do Legislativo, que tem o dever de fiscalizar o Executivo, mas quando ambos fazem parte do mesmo grupo político, a cobrança desaparece e o resultado é um ciclo de acomodação que penaliza a população com serviços precários e falta de desenvolvimento. Comunicação não é propaganda, pois informar só tem valor quando reflete ações reais. Nenhum vídeo substitui um posto de saúde funcionando, uma escola equipada, uma rua pavimentada, ou um transporte digno. A maquiagem digital pode render curtidas, mas não melhora a vida de quem depende de serviços públicos eficientes. E o impacto disso é direto no cotidiano, como o pai que não consegue vaga em creche, a mãe que espera horas por atendimento médico, o jovem que enfrenta ônibus lotados, o comerciante que perde clientes pela falta de segurança. São esses exemplos concretos que mostram que propaganda sem gestão não transforma realidade. O verdadeiro marketing público está nas entregas visíveis e concretas, e quando a gestão resolve os problemas de fato, a confiança aumenta e o progresso legitimo alcança todos os cidadãos, sem distinção. Cabe à sociedade não se deixar enganar por discursos virtuais. O futuro de uma cidade depende de escolhas responsáveis, que priorizem gestão eficiente, fiscalização independente e desenvolvimento equilibrado. Progresso de verdade não se mede por curtidas, mas pela qualidade de vida de todos, em cada esquina da cidade. *Marcelo Rocha. Contador, empresário e mestre em Administração, Educação e Comunicação