A instabilidade no Oriente Médio reacendeu o alerta sobre a fragilidade de cadeias globais de suprimentos. No caso do alumínio, isso é ainda mais evidente. O Golfo Pérsico é um dos maiores exportadores de alumínio do mundo e empresas da região anunciaram a redução da produção como resposta à instabilidade logística. O mercado reagiu e compradores começaram a garantir volumes com antecedência, especialmente a Europa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em meio a este contexto, surge a pergunta: o Brasil teria condições de aumentar a produção de alumínio e aproveitar esses novos movimentos globais? Sim, o Brasil tem condições para isso e poucos países no mundo podem dizer o mesmo. Nosso país é o 4º maior produtor mundial de bauxita e o 3º maior de alumina. Temos uma cadeia verticalizada, da mina ao produto acabado, e uma matriz energética predominantemente renovável. A instabilidade no Oriente Médio coloca o Brasil no radar de mercados que dependiam do alumínio da região. Há um movimento dos Estados Unidos sinalizando interesse em parcerias no âmbito dos minerais estratégicos, e supostamente o alumínio poderia fazer parte dessa agenda. Mas a sinalização, por ora, aponta mais para produtos na base da cadeia do que para alumínio primário ou produtos com maior valor agregado. Porém, o Brasil não pode se contentar em ser fornecedor apenas de matéria-prima no momento que o mundo mais precisa de produto elaborado. A diferença de valor agregado ao longo da cadeia é enorme, e com ela, empregos de maior qualidade, renda e desenvolvimento tecnológico. Também é preciso garantir segurança de suprimento para o mercado doméstico. O Brasil consome 1,88 milhão de toneladas de produtos de alumínio por ano - e nossa produção atual, de 1,1 milhão de toneladas, ainda não é suficiente para atender essa demanda. A autossuficiência só se mantém quando somamos a produção oriunda da cadeia de reciclagem. Nossa maior preocupação no momento não é aumentar exportações. É garantir a segurança no suprimento de metal para o mercado doméstico e fortalecer vantagens competitivas. Novos investimentos para aumentar a produção de alumínio dependem de custo competitivo de energia, segurança jurídica, previsibilidade regulatória e ambiente de negócios estável: decisões de longo prazo que as empresas tomam com base em perspectivas que vão muito além de um conflito geopolítico. O país está bem-posicionado para atrair esses investimentos e a janela de oportunidade existe. Ela vai acontecer em algum lugar. A questão é: o Brasil vai criar as condições para que seja aqui?