(Alexsander Ferraz/AT) Santos continua figurando entre as cidades mais desenvolvidas do Litoral paulista — pelo menos no discurso oficial. Na prática, algo parece fora do lugar. A sensação é de estar numa esteira de academia: você corre, sua, se esforça... mas não sai do lugar. Lembro bem da empolgação de quando cheguei à cidade, há mais de 25 anos. Na época, surgia uma proposta sedutora: revitalizar o Centro Histórico e transformá-lo em uma espécie de Puerto Madero tupiniquim. Cheguei até a tentar comprar um imóvel antigo na Praça Mauá, movido por esse sonho. Infelizmente — ou felizmente — o imóvel pertencia aos Correios, e a burocracia do órgão tratou de carimbar um sonoro “negado” na minha iniciativa. Na época fiquei frustrado. Hoje, vejo que escapei de virar dono de um imóvel com tanto apelo turístico quanto um posto de pedágio desativado. Passaram-se duas décadas e meia. E o que mudou no Centro de Santos? Para qualquer empreendedor, investidor ou turista com um mínimo de visão: praticamente nada. Sim, surgiram algumas iniciativas aqui e ali. Mas vamos ser honestos — soam mais como ensaios de campanha eleitoral do que como projetos consistentes. O centro segue com aquele ar melancólico de cidade esquecida e, pior, sem direção. Parece que ainda não decidiram se querem transformá-lo em polo criativo, centro cultural, ou estacionamento de vans. E por falar em vans... O Porto de Santos, pioneiro nos cruzeiros marítimos, continua recebendo navios repletos de turistas. Eles vêm de todos os cantos: Salvador, Ilhabela, Rio de Janeiro, Buenos Aires... E o que fazem quando desembarcam? Pegam o carro no estacionamento, sobem na van ou embarcam no ônibus e voltam para casa, muitas vezes sem sequer tirar uma selfie na cidade. Os poucos corajosos que resolvem explorar o centro histórico geralmente voltam decepcionados. Não está na hora de parar de empurrar esse problema com a barriga e sentar à mesa para discutir soluções sérias? É preciso envolver urbanistas, investidores privados, especialistas em marketing urbano e — por que não? — gente que realmente conhece o potencial da cidade. Enquanto isso, a vizinha Praia Grande vai ampliando seu shopping para entrar no top 10 do Brasil, flerta com um terminal de cruzeiros e, de quebra, disputa o título de município com maior crescimento econômico do litoral paulista. E Santos? Continua dormindo sob as palmeiras, embalada por promessas que evaporam com o primeiro sol de verão. A fila anda! *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor