<p data-end="548" data-start="183">No mês em que celebramos o amor materno, é fundamental ampliar o olhar para realidades que ainda permanecem invisibilizadas, entre elas, a maternidade atípica. Mães de crianças com transtornos do desenvolvimento, como o autismo, vivenciam uma rotina intensa, marcada por desafios constantes, que vão muito além do que tradicionalmente se associa ao cuidado materno.</p> <p data-end="801" data-start="550">A exaustão emocional é uma presença silenciosa, mas persistente na vida dessas mulheres. Diferente do cansaço físico, ela se instala de forma profunda, afetando o bem-estar psicológico, a saúde mental e, muitas vezes, a própria identidade dessas mães.</p> <p data-end="976" data-start="803">São mulheres que vivem em estado de alerta contínuo, organizando terapias, mediando crises, lutando por inclusão e, frequentemente, renunciando a suas próprias necessidades.</p> <p data-end="1349" data-start="978">A maternidade atípica exige resiliência, mas não pode resultar na invisibilidade. Ainda existe um imaginário social que romantiza o cuidado e espera dessas mães uma força inabalável. Como se o amor fosse suficiente para sustentar toda a sobrecarga emocional. Não é. Amor não substitui rede de apoio, políticas públicas, acolhimento profissional e, principalmente, escuta.</p> <p data-end="1736" data-start="1351">É preciso reconhecer que, por trás de cada criança em desenvolvimento, há uma mãe que também precisa ser cuidada. Muitas delas enfrentam isolamento social, dificuldades no mercado de trabalho e impactos significativos na saúde mental, como ansiedade, depressão e burnout. E, mesmo assim, seguem firmes. Não porque são incansáveis, mas porque, na maioria das vezes, não têm alternativa.</p> <p data-end="1998" data-start="1738">Falar sobre o lado pouco abordado do autismo é, também, dar voz a essas mulheres. É reconhecer que o cuidado precisa ser compartilhado, que o suporte precisa ser estruturado e que o acolhimento deve ser contínuo. Não se trata de fragilidade, mas de humanidade.</p> <p data-end="2271" data-start="2000">Na minha rotina profissional, acompanho diariamente histórias que revelam mais do que os desafios, reforçando a potência dessas mães. Quando acolhidas, orientadas e apoiadas, elas conseguem ressignificar suas jornadas e fortalecer não apenas seus filhos, mas a si mesmas.</p> <p data-end="2451" data-start="2273">Neste mês das mães, que possamos ir além das homenagens e construir, de fato, uma rede de cuidado mais ampla e empática. Cuidar de quem cuida é um compromisso coletivo e urgente.</p> <p data-end="2514" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2453">*Polyanna Oliveira Muniz. Sócia e diretora do Instituto Almai</p>