(Rogério Soares / Arquivo AT) Escrevi um artigo com esse título quando a carreira política de Telma de Souza foi ganhando altura considerável. Bem-humorada, ao nos cruzarmos sempre repetia a frase e sorria com ares divertidos. Ao contrário de tantos outros políticos, sua vocação não desabrochou no mundo externo. Aconteceu na sua própria casa. A inspiração veio do pai, João Inácio de Souza, vereador do PTB, o partido criado por Getúlio Vargas para buscar o voto dos operários Ela também foi advogada, professora e educadora. Porém, o que marcou sua existência foi a presença vitoriosa no cenário político. A estrela subiu pela primeira vez quando conquistou uma cadeira na Câmara Municipal de Santos. A partir daí foram só vitórias. Para a Assembléia Legislativa e a Câmara dos Deputados. Ela abriu um precedente grande, histórico e precioso ao subir as escadarias do Palácio José Bonifácio e sentar na cadeira de prefeita. Santos já possuía uma longa e linda história. Só que, até então, jamais alguém do sexo feminino havia cometido tal ousadia. A presença no maior cargo político da sua amada cidade também mostrava uma virtude que a acompanharia pelo resto da vida. Sua tendência para fazer boas escolhas. A maior e melhor delas foi chamar para a área de Saúde o brilhante médico sanitarista David Capistrano. Os dois criaram as policlínicas, com o objetivo de levar assistência aos mais distantes e pobres rincões do município. Não menciono outras e muitas iniciativas importantes de Telma porque já se tem falado muito disso nestes dias. Aliás, com toda justiça. A estrela subiria novamente, ostentando sua força política, quando elegeu Capistrano para seu sucessor. Resultado de uma aprovação popular que beirava os cem por cento. E Telma estava destinada a abrir novo precedente. Elegeu Maria Lúcia Prandi como a única mulher que presidiu a Câmara Municipal. Depois de brilhar em São Paulo e em Brasília, ela cumpriria a etapa final na vida pública voltando às suas origens. Elegendo-se vereadora. A boa filha à casa retornava. Agora, mais uma vez a estrela sobe. No dizer da excelente jornalista Leda Mondin, “para brilhar em outra dimensão”. A estrela sobe aos céus, no contato definitivo com a eternidade. Nada foi em vão. Seus feitos, dos quais o povo tanto se beneficiou, continuarão inspirando os políticos de princípios retos e de devoção à causa pública. Para sempre *Carlos Conde. Jornalista