“Agora, olhe para aquela câmera ali”, apontando para o centro do estúdio, disse-me o apresentador do talk show de maior audiência do mundo. E completou: “Em uma frase, o que gostaria de dizer às bilhões de pessoas que estão nos vendo nesse momento?”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Não precisei pensar no que diria, afinal, é algo que, com muita frequência, repito para me lembrar do que verdadeiramente importa, assim como, após grandes conquistas, generais romanos eram alertados com “Memento mori” (“Lembra-te de que morrerás”). “A vida passa muito rápido”, pronunciei na hora. Em razão de meu histórico profissional, esperavam dicas sobre como atentar adequadamente para a própria segurança ou algo do tipo. Não era possível ver a feição das pessoas, porém, por ter fugido do tema da entrevista, quase pude sentir certa frustração em muitas delas. Sei que havia inúmeras frases capazes de causar maior impacto. Quem sabe se tivesse utilizado alguma figura de linguagem? Não me arrependi do que havia dito. Coisas importantes não são exatamente assim – como aquela frase dita na entrevista –, simples? Antes que esgote o espaço destinado a essa crônica, preciso revelar que ouvi tal frase quando me despedia de meu tio Walter na comemoração de seu aniversário de 80 anos. Aqui, parênteses: sempre achei meu tio genial. E gênios não são assim, capazes de retratar barcos com apenas 2 ou 3 pinceladas? A frase simples revelava-me algo incontestável, embora confesse que, à época, não tive a dimensão de todas as implicações daquelas palavras. Vi-me com a oportunidade de propalar a frase na esperança de que jovens pudessem despertar para seu conteúdo, muito antes de se depararem com o que chamo de andropausa (ou menopausa) do espírito, esse “declínio hormonal da alma” que se presta a trazer serenidade, decantar o que é bom e belo, acelerar a cura de mágoas e filtrar melhor as escolhas. E se lembrássemos da brevidade da vida a cada instante, a cada discussão acalorada, a cada problema superdimensionado, desde a juventude? Ajuda-nos a consciência de que a vida é célere. Já havia me despedido ao final da entrevista. E, como alguém empolgado que, num karaokê, por ainda estar com o microfone ligado nas mãos quando a música acaba, canta mais um pouquinho, aproveitei para dizer: “Dê importância só ao que importa.”. Acordei. Pós-fim: essa é a 150ª crônica que publico, satisfação que compartilho com quem se dispõe a decifrá-la, o caro leitor.