[[legacy_image_346400]] Embora o termo ESG (sigla em inglês para meio ambiente, social e governança) tenha se tornado cada vez mais popular no dia a dia dos negócios, a sua concretização ainda é problemática para empresas brasileiras, principalmente as de médio e pequeno porte. Por um lado, faltam profissionais que realmente entendam do tema no Brasil. Quem realmente precisa lidar com o tema, seja para cativar o mercado consumidor, captar investimentos, aumentar seu valor de mercado, ser mais atraente para trabalhadores qualificados ou simplesmente contribuir com o meio ambiente e sociedade, sabe que há inúmeros “experts do momento”, isto é, pessoas que se dizem peritas em qualquer que seja o assunto atual, mas na prática não têm o conhecimento técnico ou a experiência para realmente se apresentarem enquanto tais. Por outro lado, há um problema de padronização quanto aos parâmetros e terminologias relacionadas a ESG, bem como na análise dos resultados. Essa disparidade torna mais complexo separar a autopromoção corporativa de fatos efetivamente relevantes, que demonstrem um real comprometimento de uma empresa com práticas ESG efetivas. Um dos pontos mais sensíveis, em particular quanto ao Brasil, pelo papel que o país desempenha globalmente no tópico de meio ambiente, é o greenwashing, prática que consiste em se propagar notícias a respeito da adoção ou aplicação de práticas sustentáveis que ou são mentirosas ou deturpadas, criando uma falsa impressão de atuação ambiental efetiva. Particularmente, um caso alarmante é a utilização de selos de sustentabilidade baseados na percepção de que o mercado e o consumidor não irão gastar o tempo e recursos necessários para averiguar a seriedade da entidade certificadora. Essa prática tem mais probabilidade de vingar quando aplicada na atuação perante o mercado doméstico, já que as empresas exportadoras acabam sofrendo um escrutínio mais intenso, o que faz com que, nos casos em que a sustentabilidade seja um fator de decisão dos compradores, apenas as certificações emitidas por entidades extremamente reputadas são aceitas como diferencial. Embora a análise imediata do cenário crie uma sensação de desalento, a tendência é que as empresas invistam cada vez mais em um ESG efetivo, principalmente porque o mercado consumidor está cada vez mais exigente e competitivo, de modo que essa pode ser a diferença entre uma empresa que cresce e uma que quebra.