[[legacy_image_340213]] Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Sinpolsan registra as suas homenagens não só às mulheres policiais, mas a todas que já conseguiram demonstrar a sua capacidade de ocupar qualquer espaço, apesar de ainda sofrerem restrições e dificuldades no seu cotidiano, pela simples condição de gênero. A data deve levar à reflexão e despertar a necessidade cada vez maior de conscientização da importância de garantir igualdade e justa remuneração à mulher, além de reforçar o combate à violência crescente. Vale lembrar que, conforme dados da Rede de Observatórios da Segurança, a cada quatro horas uma mulher é vítima de violência no Brasil. Em 2022, foram mais de 2.400 casos registrados, sendo que quase 500 foram feminicídios. Ou seja, a cada dia, ao menos uma mulher morreu apenas por ser mulher. Diante desse cenário, é perturbante a informação de que, em meio ao recorde de feminicídios, o Estado de São Paulo tenha aplicado apenas 3% do orçamento em Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs). Mas, infelizmente, a notícia não surpreende, já que o Governo do Estado reduziu em R\$ 10 bilhões o orçamento de 2024 na área de Segurança, escancarando o descaso com um pilar tão sensível à sociedade. Estamos acostumados com as decisões arbitrárias do governo em relação à segurança, porém nos traz considerável preocupação o baixo índice de investimento em unidades de atendimento às mulheres vítimas de violência, afinal estamos falando de um País com o registro de 722 assassinatos no primeiro semestre de 2023. Faltam políticas públicas, falta acolhimento e sobra impunidade. Aliás, essa é uma das pautas defendidas pelo Sinpolsan, que há tempos denuncia a precarização da Polícia Civil e das Delegacias de Defesa da Mulher na nossa região e em todo o Estado. Consequência disso é que as delegacias de São Paulo conseguem investigar apenas 30% dos casos de violência contra a mulher e enfrentam enorme dificuldade para estruturar um plantão de atendimento mais acolhedor, algo que se espera de uma unidade dita especializada. Não é à toa que as mulheres não veem o dia 8 como uma data para se comemorar. Elas continuam sem assistência, assim como as policiais civis seguem vítimas de preconceito e mínimas condições de trabalho. É preciso honrar a mulher policial que executa as suas funções com garra, fibra, força e determinação. A policial filha, irmã, esposa, mãe que não perde a ternura e a sensibilidade diante dos desafios e dificuldades enfrentados em seu cotidiano. A policial que no desenvolvimento da sua atividade desenvolve uma inteligência ímpar, capaz de conciliar suas responsabilidades profissionais com todas as demais atividades, que só as mulheres exercem com leveza, eficiência e dedicação. Esta data não representa apenas a preservação das lutas e das conquistas, mas também o fortalecimento da batalha diária e constante pela igualdade de direitos e reconhecimento da importância da mulher em nossa sociedade.