[[legacy_image_263282]] Finalmente os brasileiros terão o direito de acompanhar as investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, em Brasília. Foi uma luta oficializar a comissão. O Governo Federal fez de tudo para convencer deputados e senadores a não assinarem a lista pedindo a CPMI, o que, aliás, é uma prerrogativa do Parlamento. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Eu repudio as invasões que aconteceram em Brasília. Depredar patrimônio público é crime, e espero que os responsáveis sejam punidos. Fui uma das primeiras a assinar o pedido de instalação da CPMI, e trabalhei por ela, pois o brasileiro tem o direito de saber o que realmente aconteceu naquele triste domingo que entrou para a história do nosso País. Muitas pessoas foram presas, algumas podem ter sido detidas injustamente, então não dá para pender a balança para um lado só, como o Governo Federal e alguns parlamentares puramente ideológicos vêm fazendo. Temos de deixar as paixões e o ódio de lado, analisar o fato e apurar a responsabilidade real de quem estava nas sombras até agora. As primeiras imagens mostraram atitudes aparentemente estranhas, como o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), amigo pessoal de Lula, que foi filmado conversando amistosamente com os vândalos. Um militar, que deveria proteger a segurança e não protegeu, que estava lá confortável, até. Foi só quando a imagem suspeita do general vazou na imprensa que o Governo Federal mudou de ideia em relação à CPMI. É incoerente um governo que se diz interessado em investigar, mas que logo após as invasões, impôs sigilo de cinco anos para as imagens de 8 de janeiro. Pelo que se ouve nos corredores de Brasília, na CPMI o PT vai jogar a culpa dos atos antidemocráticos no ex-presidente Bolsonaro. Narrativas à parte, pelo que foi apurado até agora, quem tem cara, crachá e estava lá é um amigo do peito do presidente Lula. Depois do vexame, ele foi estrategicamente defenestrado do cargo de ministro do GSI. Temos um ex-ministro do governo anterior preso, por suspeita de ser conivente. Muitas pessoas estão presas até hoje. Então, se há pessoas infiltradas do próprio governo Lula, que facilitaram a invasão, elas também precisam ser investigadas e responsabilizadas. Esse é o objetivo da CPMI de 8 de janeiro. O povo brasileiro quer saber a verdade, quer ter o direito de descobrir o que realmente aconteceu. A população que não é de extrema direita nem de extrema esquerda também faz a leitura dos fatos. Sabe que o Governo Federal, por conta dos seus interesses, colocou informações e imagens públicas das invasões sobre sigilo de meia década. As pessoas observaram que a Presidência da República, por quatro meses, tentou impedir a instalação da CPMI, só mudou de ideia depois que as imagens do general companheiro de Lula escandalizaram o País. Chegou o momento de passar o 8 de janeiro a limpo, ouvir com isenção os dois lados. Aguardamos as indicações dos deputados e senadores que vão compor a CPMI dos atos antidemocráticos. Que sejam pessoas centradas, que não venham apenas para acusar, e sim para apurar a verdade. É isso que a gente espera, pelo bem da democracia e do país.