(Pixabay) Em uma sala cheia, a mulher ruiva transita, com o olhar atento. Ao passo que se concentra para encontrar pontos de melhoria em cada movimentação, repassa a contagem da música com sons altos - semelhantes a um estalar de língua. Embora peculiar, quem se propõe a aprender sobre dança contemporânea com ela, sabe que o ritmo de aula não é igual a qualquer outro. E não estou falando apenas pela falta do “5, 6, 7, 8” tradicional em aulas do gênero. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Mesmo com reconhecimentos nacionais e internacionais, a última coisa que faz é se manter na zona de conforto. Isso pela magia que tem em si, a mais poderosa de todas: transformar qualquer situação cotidiana em dança, seja o simples embaralhar de cartas ou até lavar a louça. Com ela, há sempre algo a aprender, um desafio. E aqueles que caem em suas graças, ou melhor, em suas aulas, desenvolvem e expandem habilidades técnicas para se tornarem grandes potências. Prova disso, foram as mais recentes conquistas no Festival de Dança de Joinville, considerado pelo Livro Guinness dos Recordes como o maior evento no mundo em número de participantes, com cerca de 4.500 bailarinos. Com seleção rigorosa, poucos trabalhos são selecionados. Receber prêmios em todas as categorias que competiu? Um feito. O bailarino é a tela em branco e o coreógrafo é o responsável por criar e expandir o potencial para que vá ainda mais longe. E com dois solos e um conjunto, marcou mais uma vez a vida de crianças e jovens, que veem na dança um futuro. Flavia Sá, a fonte de inspiração do que aqui escrevo, constrói a concepção coreográfica como ninguém e quando isso se une a escolha musical, e a performance dos bailarinos, os resultados jamais poderia ser outros senão arrepio na espinha. Dos jurados, de amantes da dança e até dos curiosos, que, impactados por um vídeo ou outro, sentem as mais diversas emoções assistindo cada criação. Coreógrafa, professora e artista, ela deixa seu legado na dança, não só por suas conquistas, mas pela forma que transforma vidas e inspira seus alunos - com uma palavra amiga, um olhar carinhoso e o imenso orgulho que sente ao observar de perto cada evolução. Ela é querida, ela é amada e, talvez, todo esse amor que recebe e emite a faça ir tão longe. O futuro é incerto e tendo isso em mente, essa artista é generosa o suficiente para viver e apreciar cada momento. Em um mundo cada vez mais ansioso, ela deixa mais uma lição, a de apreciar as conquistas independente do tamanho. Mas, como disse, nada sobre ela envolve conformismo, por isso é uma eterna sonhadora. Em sua cabeça fértil, posso apostar que há alguns muitos itens a serem cumpridos em sua trajetória profissional. Com sua coragem, ousadia e loucura (que abraça como sua melhor amiga), Flavia está cada vez mais perto de cumprir seu destino. E honrado será quem estiver perto para acompanhar. Parabéns, Flávia. Vida longa aos seus trabalhos.