(Unsplash) Toda organização de excelência compreende a abismal diferença entre gerenciar um cofre real e administrar uma ilusão financeira. Quando a despesa cresce em velocidade vertiginosa e superior à receita arrecadada, restam apenas duas alternativas: reduzir os custos de imediato ou empurrar a pesada fatura para o futuro. Na administração pública, infelizmente, a segunda opção tornou se uma tradição institucional implacável. O Brasil vivencia novamente o trágico momento em que o debate econômico abandona a técnica para abraçar o puro oportunismo eleitoral. Programas são ampliados, incentivos anunciados e benefícios distribuídos sem o menor pudor fiscal. Novas despesas surgem em escala muito superior à capacidade de financiamento do Estado. O problema não reside no ato de gastar. Governos existem para investir em infraestrutura, proteger os vulneráveis e estimular o crescimento. O erro fatal é gastar sem indicar, com total transparência, quem pagará essa conta amanhã. Não existe milagre na ciência econômica. Quando a arrecadação não acompanha o ritmo implacável das despesas, o resultado inevitável surge na forma de dívida pública asfixiante, juros elevados, menor capacidade de investimento estatal e o aumento cruel da carga tributária. O sistema engole a sociedade de forma indireta e silenciosa. O preço dessa escolha irresponsável raramente recai sobre quem a tomou no conforto dos gabinetes. O peso real desmorona sobre o cidadão, o empresário que gera empregos, o trabalhador e, sobretudo, o governo seguinte. O sucessor herda um orçamento engessado, um cenário de terra arrasada e um espaço fiscal espremido pelas dívidas. A política deveria ser o exercício máximo da responsabilidade entre gerações. Governar não significa apenas entregar resultados imediatos ou vencer a eleição seguinte. Significa administrar os recursos sagrados da sociedade, preservando a plena capacidade do Estado de atender também as próximas gerações. Em qualquer corporação séria, um gestor é avaliado não apenas pelo que entrega hoje, mas pelo passivo que deixa para o futuro. Na gestão pública, esse princípio deveria ser rigoroso. Afinal, os governantes passam, a conta permanece para sempre. *Alexandre Aniz. Advogado e pós-graduando em Direito Eleitoral