Quando a morte se aproxima, o corpo aciona um conjunto de reações fisiológicas e comportamentais (FreePik) Duas questões relacionadas aos planos de saúde mereceriam uma análise mais ampla da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A primeira é o aumento das mensalidades conforme a idade. A lógica atuarial é compreensível: pessoas mais velhas utilizam mais os serviços de saúde. Mas há uma contradição. É justamente quando o cidadão envelhece, deixa de trabalhar e passa a depender de uma aposentadoria limitada pelo teto e por seus parcos reajustes, que o plano se torna mais caro. Não seria razoável estudar um modelo de maior solidariedade entre gerações, com mensalidades menos dependentes da idade? O usuário pagaria mais enquanto jovem e menos na velhice, aproximando-se de uma contribuição uniforme ao longo da vida. Quem contribuiu durante décadas não deveria chegar à velhice como se sua relação com a saúde suplementar começasse naquele momento. Outra questão envolve tecnologias e procedimentos menos invasivos. Uma cirurgia de varizes com retirada da safena, por exemplo, pode, quando indicada, ser realizada por técnicas que proporcionam recuperação mais rápida que a cirurgia convencional. Sem cobertura, o paciente pode acabar submetido a procedimento mais traumático, com recuperação prolongada e até afastamento do trabalho, cujo custo eventualmente recai sobre o INSS. Situação semelhante ocorre em determinadas cirurgias de próstata realizadas com auxílio de robótica. O custo imediato pode ser maior, mas será que a conta correta é apenas essa? Há ainda uma questão ética. Se o médico entende que existe uma técnica mais adequada ou menos invasiva, mas ela não é coberta pelo plano de saúde, até que ponto a escolha do tratamento permanece baseada exclusivamente em critérios financeiros? Talvez a ANS devesse avaliar coberturas considerando não somente o preço do procedimento, mas o custo completo: internação, medicamentos, complicações, recuperação, afastamento profissional e qualidade de vida. Saúde suplementar não deveria sig<CW-12>nificar simplesmente escolher o procedimento mais barato. A melhor conta é aquela que considera o paciente e o custo total para a sociedade. Valter Branco. Engenheiro com MBA em Comércio Exterior e Finanças Internacionais.