(Reprodução) Se tem uma coisa que o brasileiro já aprendeu, é que quando a conta de luz sobe, ninguém desliga o interruptor do problema. E agora, a promessa de uma energia mais limpa e renovável pode vir embalada em um pacote salgado, daqueles que fazem o bolso chorar no escuro. Vamos aos fatos: o Congresso Nacional está prestes a decidir se mantém ou não os vetos às emendas da chamada Lei das Eólicas Offshore. O projeto original trata da regulamentação de usinas eólicas no mar – um avanço energético necessário. Mas, como de costume, o texto foi enfeitado com aqueles tradicionais jabutis – emendas sem relação direta com o tema e que, no caso, criam subsídios e obrigatoriedades que podem custar R\$ 20 bilhões ao ano até 2050. Para entender o impacto, basta olhar a conta de luz: a cada 100 kWh consumidos, o brasileiro pode pagar um valor equivalente ao da temida bandeira vermelha patamar 2 – aquela que nos faz repensar se vale a pena passar a roupa ou tomar um banho quente mais longo. O resultado? Um aumento de até 9% na conta de luz e, claro, o efeito cascata nos preços dos produtos e serviços. Afinal, tudo o que consumimos depende de energia – do pão na padaria ao leite na geladeira. Mas o impacto não para por aí. A possível derrubada dos vetos também anda na contramão das políticas ambientais, já que os jabutis incluem subsídios para usinas de gás e carvão, fontes bem menos limpas do que a energia dos ventos. E aqui chegamos ao ponto central. Quem paga essa conta? A resposta é simples e dolorosa: todos nós. Mas, como sempre, quem sente primeiro e mais forte são as famílias de baixa renda, para quem cada real na conta de luz faz diferença na mesa do jantar. Por que, em vez de discutirmos formas de baratear a conta de luz e estimular fontes realmente sustentáveis, estamos falando de um aumento de custo que pode nos assombrar por 25 anos? A resposta, como sempre, está na política. O jogo agora está nas mãos dos deputados e senadores. Se os vetos forem mantidos, há uma chance de evitar que a conta suba ainda mais. Se forem derrubados, prepare-se: pode vir tarifaço por aí. E você, consumidor, que trabalha duro para pagar a conta todo mês, pode até não ter assento no Congresso, mas tem voz. Porque a história mostra que jabuti não sobe em árvore – alguém sempre coloca ele lá. E a questão é: quem vai tirá-lo de lá antes que a fatura chegue? *Jornalista, radialista e filósofo