(Reprodução) Há cerca de 20 anos, uma viagem à Austrália e à Nova Zelândia me presenteou com a valiosa amizade de Arlindo Salgueiro e sua esposa, resultando em visitas quase anuais que superam a distância de 8.000 km e a vastidão do Atlântico. Minha primeira visita a Santos, em junho de 2024, foi tão profundamente marcante, emocionante e surpreendente em todos os sentidos que não hesitei em retornar em março deste ano, agora com uma paixão ainda mais intensa por esta terra. Santos abriga o maior porto da América Latina, um ponto crucial para o desenvolvimento econômico e político do Brasil desde os tempos coloniais. A cidade também foi berço de figuras ilustres e palco de eventos que moldaram a história nacional, como a atuação visionária de José Bonifácio de Andrada e Silva, o venerado Patriarca da Independência. Nascido em Santos, José Bonifácio de Andrada e Silva estudou na prestigiada Universidade de Coimbra, em Portugal, onde construiu uma brilhante carreira como cientista e mineralogista. Ao retornar ao Brasil, tornou-se uma figura central no processo que culminou, sob sua decisiva influência sobre dom Pedro I, na proclamação da Independência em setembro de 1822. Os dedicados amigos Arlindo Salgueiro e José Geraldo Gomes Barbosa, respectivamente presidente e vice-presidente do Movimento Pró-Memória de José Bonifácio, desempenham um papel crucial na preservação do patriotismo e na promoção da educação histórica, especialmente entre as novas gerações. Nesse contexto enriquecedor, tive a oportunidade de testemunhar a celebração dos 200 anos da Independência, marcada pela homenagem a diversas personalidades com a outorga do Colar do Mérito Pedro, O Libertador, concedido pelo Conselho de Minerva, uma instituição ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A solenidade cívica ocorreu no prestigiado Centro Cultural Português, na magnífica sala camoniana. Fui profundamente honrado ao ser designado representante e membro efetivo do Movimento Pró-Memória de José Bonifácio em Lisboa, recebendo, em seguida, a Comenda Pedro, o Libertador, graças à generosidade e ao empenho do estimado amigo José Geraldo. Como contabilista, economista, gestor de empresas e, também, apaixonado pela história dos povos, permito-me concluir este relato fazendo um apelo às autoridades brasileiras e portuguesas para que explorem, com renovado vigor, as vastas potencialidades econômicas que existem entre nossos países. Em particular, destaco a oportunidade que o Brasil, essa grande nação, tem de acessar o mercado europeu por meio de Portugal, que se configura como uma porta de entrada privilegiada. Além disso, é fundamental intensificar o intercâmbio científico, cultural e educacional entre os dois países. A profunda fraternidade que une os povos brasileiro e português pode e deve servir como um impulso para parcerias mutuamente benéficas em um cenário global em constante transformação. Como português de nascimento, afirmo ser esse o meu desejo. *Contabilista, economista e gestor de empresas