Para a assinante, a cidade dos sonhos tem cores diversas, nas paisagens, nos prédios, nos vestuários, nos rostos, nas artes das ruas e nas telas da Pinacoteca Benedicto Calixto (Vanessa Rodrigues/AT) A cidade dos meus sonhos é aquela onde eu posso caminhar por ruas arborizadas e calçadas acessíveis para todos, incluindo pessoas com deficiência, idosos, mães com carrinhos de bebê e jovens que passeiam com seus pets (e que catam a sujeira de seu cãozinho). A cidade dos meus sonhos abraça os turistas, que respeitam o espaço urbano e são respeitados pelos moradores locais. Uma cidade onde todos podem ver e fotografar o pôr-do-sol nos finais de tarde e se despedir, na Ponta da Praia, dos passageiros desconhecidos nos cruzeiros que passam por nossa grande “avenida hídrica”, o canal do Porto. A cidade dos meus sonhos tem os maiores jardins de praia do mundo e areias limpas, sem bitucas de cigarro, canudos e copos plásticos, sem sujeira flutuando pelas ondas do mar. No mar, aliás, há surfistas, profissionais ou iniciantes, inscritos em escolinhas de surfe, um esporte que é a cara da minha terra. No mar, também há espaço para tartarugas, arraias e peixes, que algumas vezes podem ser observados pela população, apesar da água escura, que ao contrário do que muitos pensam, não é resultado de poluição, e sim de matéria orgânica e sedimentos, comuns numa região geográfica de baía, como a nossa. A cidade dos meus sonhos tem cores diversas, nas paisagens, nos prédios, nos vestuários, nos rostos, nas artes das ruas, nas telas da Pinacoteca Benedicto Calixto, nos deliciosos pratos dos restaurantes, quiosques e de suas ruas gastronômicas. Algumas pessoas vão reclamar do calor, das mudanças climáticas, do avanço das marés, de alagamentos, mas essas mesmas pessoas vão se lembrar de não descartar lixo no chão, não entupir bueiros, não jogar resíduos líquidos, como óleo de cozinha ou restos de tinta nas galerias de águas pluviais ou nos canais, proteger as árvores existentes e plantar novas, adequadas à realidade urbana. Na minha cidade ideal, os governos, todos eles, ano após ano, darão continuidade à obras e projetos que beneficiem a população. Nas escolas, as crianças aprendem sobre cidadania, direitos e, principalmente, sobre os deveres de cada um. Entendem como conviver harmonicamente em sociedade e, no contrafluxo do que seria natural, ensinam seus pais, tios e avós. Ensinam todos os adultos, que escutam com atenção e replicam cada uma das ações. Talvez você tenha reconhecido a cidade dos meus sonhos nessas poucas linhas. Talvez você ache que estou sonhando alto demais. Mas sinceramente, acredito que Santos tem quase tudo que almejo como ideal. E o que falta a gente é capaz de conquistar. * Arquiteta, assinante de A Tribuna e participante da ação Vivendo o Jornalismo, promovida pelo Clube A Tribuna