Museu Pelé, em Santos, é um dos bons exemplos de equipamentos turísticos na Baixada Santista (Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) Quando pensamos em turismo, fica evidente que nossa região, apesar de receber grande fluxo de visitantes, ainda não desenvolve todo o seu potencial. Os atrativos são muitos e diversificados, envolvendo natureza, história e cultura. Mas parece faltar algo para que o turismo alcance sua plenitude e gere desenvolvimento econômico e trabalho durante todo o ano para guias de turismo, artesãos, comerciantes de outros integrantes do trade turístico. Mas o que está faltando para o nosso turismo campeão? No Cadastur, cadastro do Ministério do Turismo, existem cerca de 300 agências e operadoras com sede em Santos. Entretanto, poucas trabalham efetivamente com turismo receptivo. São empresas que poderiam desenvolver produtos como city tours, passeios náuticos, venda de ingressos, transporte de e para aeroportos e rodoviárias e outros serviços para turistas de lazer ou negócios. Em grande parte, essas empresas atuam levando santistas para outros destinos. Isso significa que o turismo receptivo não seja um bom negócio? Sim, pode ser bom, tanto para o empreendedor quanto para o destino. Porém, há adversidades. Uma delas é a carência de governança do turismo local. Os diferentes atores, especialmente iniciativa privada e terceiro setor, ainda precisam de maior organização, articulação e liderança. Poucas parcerias dificultam a criação de produtos turísticos, que dependem de concepção, fornecedores, reservas, operação, precificação, divulgação, venda e pós-venda. Também faltam mecanismos específicos de fomento e incentivo ao turismo, semelhantes aos existentes na Cultura, como o Facult, em Santos. Embora Turismo e Cultura se complementem, possuem necessidades próprias. Nossas cidades contam com recursos do Fumtur/Dadetur, mas destinados principalmente à infraestrutura turística. Precisamos também estimular projetos e roteiros temáticos envolvendo grandes atrativos, como o futebol com Pelé, o café e o Porto. É necessário reconhecer o papel das agências e operadoras receptivas como articuladoras dessa cadeia. São elas que desenvolvem produtos, conectam serviços e agregam valor ao destino. Fazem a transição entre defesa e ataque, acionam os laterais e lançam a bola para os atacantes: nossos guias de turismo, que concluem as grandes jogadas. São essas empresas que podem transformar produtos estruturados em nossos gols. É hora de tirarmos nossas “camisas 10” do banco de reservas. Nossa torcida é para que o time se entrose e transforme a Baixada Santista de um bom destino praiano em um destino turístico de reconhecimento mundial. Ano que vem tem Copa! Eu acredito. E você? *Diogo Dias Fernandes Lopes é Turismólogo