[[legacy_image_335845]] As ciclovias de Santos sempre convidam a um bom e agradável passeio. Mas, para isso, é preciso ter uma bicicleta. E, comprar uma bicicleta nova não fazia parte do meu orçamento. Necessário encontrar uma usada. Procurei e, finalmente, achei uma à venda. Fui à casa da proprietária para ver o veículo tão desejado. Era linda: moderna, na cor azul-escuro, equipada com marchas, selim supermacio. Gostei dela. O preço era bom. Voltei para casa pedalando. No dia seguinte, um domingo, lá fui eu usufruir da minha bicicleta, o meu sonho de consumo! Fui até a avenida da praia e pedalei pela ciclovia da orla, desde o Canal 2 até o Canal 6. Parei para tomar uma água de coco e continuei. Atravessei pela balsa e fui pedalar na ciclovia do Guarujá. De volta a Santos, refiz o caminho pela ciclovia da avenida da praia. Estava feliz! As ciclovias existentes em Santos e nas cidades vizinhas propiciam o pedalar saudável. Usar bem a bicicleta é um bom hábito para passeios solitários ou na companhia de outros ciclistas, de acordo com as oportunidades. Logo que chegava do trabalho, saía, pelos menos para passeios rápidos. Voltava para casa energizado, contente por um novo e bom momento de puro lazer. E assim, no final de semana seguinte, lá estava eu, de volta às ciclovias de Santos, um “ciclista nato”, precavido e atento a todos os movimentos, devidamente equipado para me proteger de possíveis acidentes. Procurava obedecer a todas as rotinas de um bom condutor para não me envolver em situações que pudessem prejudicar a mim e a outras pessoas. Eu me sentia realizado e, a cada dia, estava mais familiarizado com a bicicleta e a sentia efetivamente minha, como se eu a tivesse comprado nova e ela nunca tivesse pertencido a outra pessoa. Num final de tarde, quando cheguei em casa, uma notícia: a antiga proprietária da bicicleta queria conversar comigo. Não sabia o motivo, mas, curioso e apreensivo, liguei para ela. Durante a nossa conversa ela me disse que se arrependera de ter vendido a bicicleta e queria desfazer o negócio. Falou que tinha sido um presente do seu marido e que ele, ao saber que o “presente” tinha sido vendido, não teve boa reação e praticamente exigiu que ela me procurasse para combinar a retomada da posse do veículo. Nada pude fazer a não ser concordar com ela. Fui até a garagem, “despedi-me” da bicicleta e a levei, conforme o combinado. Tinha cuidado tão bem dela que, quando recebi de volta o dinheiro da compra, a antiga proprietária, além de agradecer a minha compreensão, elogiou o carinho que eu tivera para com o veículo. Voltei para casa triste, a pé, andando vagarosamente. Pensava em comprar outra bike, mas precisaria ficar mais atento quanto à nova transação, para que não ocorressem novos arrependimentos. Dias depois, estava eu com uma nova bicicleta, tão equipada quanto a anterior. O jeito seria, a partir daí, me acostumar a ela e, aos poucos, ir esquecendo a outra. Dessa vez, o vendedor não me deu problema algum e eu, feliz da vida, voltei a usufruir das ciclovias como mais um dos muitos santistas que adquiriram o hábito do uso da bicicleta como um meio de transporte mais adequado às necessidades e à rotina de uma cidade plana, já preparada à prática do ciclismo.