[[legacy_image_301609]] Os olhares e as expressões dos envolvidos sinalizavam para a plateia a importância daquela noite. Cada palavra cantada, com delicadeza e verdade, contava a história de um sonho que saiu do papel e do imaginário dos mesmos envolvidos e foi parar na trilha sonora da vida de muitas pessoas da minha geração. E quantos sonhos cabem em dez anos? Quantos rascunhos colecionamos em uma década? Era o que eu me perguntava enquanto observava todos os detalhes de uma noite que agora gosto de traduzir como “aula de pertencimento”. No dia 23, uma banda que nasceu aqui na Baixada Santista, fruto do sonho dos amigos Pedro, Guilherme, Vitor e Rafael, comemorava dez anos do álbum de canções O Tudo, o Nada e o Mundo. Ali, há dez anos, florescia a banda santista Zimbra, que conseguiu colecionar fãs pelo nosso país em um encontro de muita harmonia e com refrões que refletem as dores e os amores do cotidiano. A turnê da banda, que está comemorando essa década de trajetória do álbum que fortaleceu o trajeto, teve seu início em Santos. Em casa. Na cidade onde deixou de ser rascunho de um sonho. No lugar em que saiu do papel. O grupo deu uma aula de pertencimento para a plateia porque voltar para a linha de partida é resgatar da nossa memória afetiva tudo aquilo que foi necessário para a chegada. Muitos sonhos cabem em dez anos. Mas, partindo da mesma premissa, em dez anos de trajeto cabem os medos, as frustrações e as angústias do processo. Guimarães Rosa traduz com muita sabedoria: “O real não está na saída nem na chegada. Ele se dispõe para gente no meio da travessia”. Lembrar que os desafios costuram as nossas conquistas é o que veste a gente de resiliência e o que deixa a festa de celebração muito mais animada. A banda Zimbra celebrou os seus dez anos voltando para casa, nessa aula de pertencimento que lembrou a plateia em todos os momentos o simbolismo desse retorno e a beleza da travessia. O grupo deixou claro que sem aqueles que sonharam junto nenhum rascunho teria saído do papel. São eles: André Calvão, Bruno Pelloni, Marinho e Felipe Bucheb. E a banda parece ter aprendido as lições do caminho com os próprios refrões: não passaram tempo demais pensando sem conseguir sentir e não deixaram nenhum cronograma atrapalhar essa linda direção. Vida longa para a Zimbra e seus envolvidos que agora seguem sua travessia de celebração desses 10 anos em uma volta pelo Brasil inteiro. Foi um prazer assistir a primeira aula da plateia de casa!