[[legacy_image_291130]] A morte de Sergio Vieira de Mello chocou o mundo em 19 de agosto de 2003. A ONU criou nessa data o Dia do Trabalhador Humanitário em homenagem à irreparável perda do grande brasileiro e dos bravos funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU) que com ele sucumbiram no atentado a bomba contra o escritório da organização, em Bagdá, no Iraque. No momento em que se celebra os 20 anos de ausência de Sergio, cabe destacar por que sua memória é tão viva e por que seu legado segue tão presente. Sergio trabalhou décadas de sua vida em prol das pessoas migrantes e refugiadas e deslocadas internas. Dessa experiência acumulada em grande parte no terreno, sujando as botas como gostava, ele adquiriu um sentido da existência humana, uma visão de mundo na fronteira mais distante do horizonte da proteção humanitária e dos direitos humanos. Sua trajetória o levou a se tornar, e ser admirado, como hábil problem solver (solucionador de problemas) e exitoso peacemaker (pacificador), gerando uma aura de sucesso em torno de si, algo que aproximava da figura de um herói humano. Por isso, também, sua morte foi tão sentida por diferentes pessoas – dos altos dirigentes da ONU em Nova Iorque e Genebra a pessoas comuns que haviam compartilhado com Sergio uma mesa de almoço simples em algum lugar da África ou da América Latina. Essa ausência de Sergio, o humano e o herói, ainda causa um aperto no peito de muitos e muitas que o acompanharam. Mas Sergio deixou um legado perene, que se materializa em iniciativas que evocam a sua prática. Uma delas, hoje mais conhecida e mais valorizada, é a Cátedra Sergio Vieira de Mello (CSVM), criada pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), logo após a perda de um de seus mais destacados funcionários. A CSVM tornou-se uma experiência transcendente nas universidades brasileiras, para a proteção internacional e a integração local de pessoas refugiadas e migrantes forçados. Celebrando, também, seus 20 anos de existência, a Cátedra entra hoje em fase de maturidade para ganhar o mundo e projetar-se para além de sua trajetória brasileira. Ela já está presente em universidades da República Dominicana, Etiópia e Reino Unido e se expande para outros países. No momento em que lembramos a perda de Sergio, também se evoca a vida de milhares de pessoas que atuam no campo humanitário para salvar vidas e diminuir o sofrimento de pessoas perseguidas e afetadas por guerras e graves violações de direitos humanos. Sergio se faz presente, como ser humano e herói, em cada uma dessas pessoas que se arriscam no terreno, para que outras sigam acreditando que há luz no fim do túnel.