[[legacy_image_299000]] A atriz Letícia Sabatella revelou nos últimos dias o diagnóstico de autismo. Segundo Letícia, o transtorno do espectro autista (TEA) foi considerado de nível leve e ela está aprendendo a lidar e assimilar essa nova realidade. Porém, esse exemplo de diagnóstico tardio só comprova que, apesar de ser considerado um transtorno restrito à infância, ele tem se manifestado cada vez mais na vida adulta. Mas como conviver com o TEA? E como descobrir se um adulto possui autismo? A primeira coisa que fica clara é que o autismo não chegou com a vida adulta, ele sempre esteve lá. Acontece que, quando criança, esse adulto pode não ter sido acompanhado e não ter recebido um diagnóstico por apresentar sintomas mais leves, que podem ser mais difíceis de reconhecer. A criança autista cresce e esse adulto continua sendo autista. Além disso, um adulto, quando não diagnosticado, pode desenvolver ansiedade e depressão, pois não entende os motivos de ser diferente das outras pessoas, já que muitos sintomas ficam camuflados e misturados aos desafios da vida, descaracterização seus sinais e sintomas. Isso é tão real e alarmante que pesquisas revelam que, em 2004, uma em cada 166 pessoas adultas apresentava sintomas do autismo. Em 2007, essa proporção era de uma em cada 54 pessoas. Em 2021, no auge da pandemia, essa proporção chegou a ser de uma em cada 44. Há a necessidade de uma maior aceitação do TEA, divulgação sobre a definição da doença, sintomas e tratamento proposto, já que o autismo é um tipo de transtorno que pode trazer prejuízos em qualquer etapa da vida. Quando não tratado em idades iniciais, pode acarretar problemas na comunicação, socialização, aprendizagem cognitiva e interações humanas. O diagnóstico tardio pode provocar o sofrimento desse individuo ao longo da vida, com críticas em função de seu comportamento atípico e tentativas em se encaixar no meio social em que vive. O mais comum é que pessoas na fase adulta, diante de alguns destes sintomas, venham a receber muito outros diagnósticos. Por isso, a busca pelo diagnóstico quando adulto pode ser desafiador por vários motivos: as crenças e preconceitos em relação à saúde mental e o medo de ser julgado, rotulado e descriminado socialmente. Os sintomas do TEA adulto mais comuns são: dificuldade de interação ou manutenção de amizades mais íntimas, desconforto em contato visual, dificuldade no gerenciamento das emoções, hiperfoco em um assunto específico, falar repetidamente sobre determinado tema, hipersensibilidade a cheiros, sons e texturas que parecem não incomodar aos outros, piadas, sarcasmo ou expressões de duplo sentido não compreendidas, interesse limitado em atividades, preferência por atividades solitárias, falta de compreensão e reação diante da emoção do outro e expressões faciais e linguagem corporal não compreendidas. Os palcos onde Leticia Satabella atua e brilha sempre jamais poderiam imaginar essa condição de saúde da talentosa atriz. No entanto, lidar com o TEA, conhecendo o diagnóstico e entendendo mais sobre o processo e em que nível se encontra, é fundamental para proporcionar ao autista adulto uma melhor qualidade de vida e bem-estar. O TEA é uma condição, não uma sentença. É uma realidade que necessita acompanhamento profissional frequente e adequado. Quanto antes esse tratamento se iniciar, melhor para que se consiga eficácia no desenvolvimento mental, físico, motor, sensorial e emocional do autista.