(Freepik) A campanha do Outubro Rosa alerta sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, um assunto nem sempre bem-vindo nas rodas de conversas. O fato é que, independentemente dos meses temáticos das campanhas de saúde, ouvir as histórias de outras mulheres pode sensibilizar seus pares para uma questão tão importante como essa doença. O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres e, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é possível reduzir o risco de desenvolver a doença adotando hábitos saudáveis, assim como o autoexame e as consultas aos profissionais de saúde podem diminuir o agravamento do problema. Isso porque, na maioria dos casos, a doença tem cura, principalmente quando diagnosticada no início. Por outro lado, os primeiros sinais podem passar despercebidos pela própria mulher, mas notados por outras mulheres que compartilham a sua rotina. É o caso das esteticistas em procedimentos de massagens, profissionais aliadas ao bem-estar e à saúde feminina. O Mulheres em Foco, iniciativa do Sindicato dos Empregados em Edifícios de Santos (Sindedif), concluiu, no último dia 21, a série de encontros com temáticas variadas, realizados desde o início do ano. Desta vez, o tema foi Autocuidado: Saúde e Autoestima, em parceria com o Sindicato dos Profissionais da Beleza, o SindeBeleza. Entre as falas das participantes, a esteticista convidada relatou que, por duas vezes, na sua prática profissional, se adiantou chamando a atenção para as pequenas alterações nos corpos das mulheres assistidas. Por compartilhar da rotina das clientes em questão, notou algo de diferente nas mamas. E, pela relação de confiança com a profissional, essas mesmas mulheres acataram a observação e procuraram ajuda especializada. No mesmo evento, além das funcionárias do sindicato, autoridades municipais, associadas, esposas dos associados e moradoras de diversos bairros de Santos, também estiveram presentes algumas mulheres que frequentam o Centro Integrado de Assistência a Pessoas com Câncer (Cenin), que puderam contar as suas histórias, assim como receberem acolhimento e orientação jurídica para cada caso específico. Os relatos chamam a atenção para a importância das experiências vividas e compartilhadas entre as mulheres durante os encontros. O fato é que questões que abrangem exclusivamente as mulheres por muito tempo foram negligenciadas e as desigualdades de gênero não são pautas prioritárias na sociedade. Porém, não é de hoje que esse cenário está mudando. O Sindedif, majoritariamente masculino, entendeu que as mulheres podem e devem ser aliadas para direcionar as políticas públicas que façam prover os direitos sociais para todos. Ao se falar de mulheres, de quem estamos falando? De todos nós! Isso porque quando os grupos sociais não são vistos de forma isolada colaboram para a diminuição dos preconceitos e das desigualdades. O senso de pertencimento dessas mulheres dentro da instituição sindical tem contribuído para uma sociedade mais integrada, diversa e inclusiva. E, ainda, atenta às questões da saúde individual e coletiva. Esse último encontro, na temática escolhida, se antecipou ao Outubro Rosa, uma campanha que incentiva o autocuidado. *Simone Carvalho de Oliveira. Doutora em Ciências da Saúde *Karla Duarte de Carvalho Pazetti. Advogada previdenciária *Sílvia Cristina Carvalho. Assistente social e perita técnica *Maria J. Gomes Barbosa. Psicóloga clínica