Sicário do STF O pintor renascentista italiano Giuseppe Arcimboldo (1526-1593) criava retratos humanos formados inteiramente por arranjos de frutas, legumes, flores, peixes e outros objetos. De longe, a imagem parece o rosto de uma pessoa; de perto, revela-se que os olhos são cerejas, o nariz é uma cenoura ou pimenta, e o cabelo é um cacho de uvas ou folhas. A vergonhosa sessão do STF, com acusações mútuas de crimes entre seus ministros, se vista com olhos mais atentos – tal como os quadros de Arcimboldo –, faz desconfiar que o banqueiro Daniel Vorcaro, que tinha um operador de codinome Sicário, na verdade é o “sicário” da banda podre do STF. Túllio Marco Soares Carvalho - Bauru (SP) Reconhecimento A ministra Carmen Lúcia, do STF, se destacou com sua profunda consternação e tristeza diante das manifestações truculentas dos demais ministros na sessão do dia 15. Ela afirmou que o Judiciário vem provocando um grande mal-estar cívico e está envergonhada perante o povo brasileiro, pedindo desculpas. Livre de partidarismo, a magistrada merece nosso reconhecimento pela altivez e desprendimento nas suas ações. J. A. Nogueira de Sá - Santos Eleição (1) Lula, ilegalmente, despeja bilhões de reais no Bolsa Família, em ato típico de propaganda política. Aliás, o Lula tudo pode, até o errado. Afinal, nós, os manés, é que vamos pagar mais essa conta. Só faltou o presidente se fantasiar de Papai Noel para não largar o osso – ou melhor, as mordomias. Já passou da hora de proibirem a reeleição no Brasil. É muita ganância. Zureia Baruch Jr. - São Paulo Eleição (2) Mais uma vez defendo a unificação das eleições brasileiras, a cada quatro ou cinco anos. O modelo atual, com disputas em todos os anos pares, consome mais recursos e transforma a representação social em corrida eterna. Enquanto isso, famílias continuam sem casa, emprego e dignidade, pois não há continuidade, programação ou planejamento que resista ao vaivém da política brasileira. Ministros do STF (Judiciário) são escolhidos pelo presidente da República (Executivo), enquanto boa parte do orçamento nacional é executado pelos Legislativos, à revelia dos planos dos Executivos. Enquanto uns querem dar o peixe e outros querem ensinar a pescar, seguimos mergulhados nesse mar de lama de um processo viciado e oligárquico. Rubem Silva - Santos Crônica É preciso parabenizar as brilhantes crônicas da jornalista Fernanda Lopes, publicadas aos sábados. A forma pragmática, clara e objetiva dos textos nos retrata diversos aspectos da vida contemporânea, fatos que são lembrados na sua vivência juntos aos seus entes queridos e que se juntam àqueles que comungam com suas crônicas. Foi o caso, por exemplo, de recente registro dos jogos de futebol narrados por Osmar Santos, Fiore Gigliotti e José Silvério. Todos tão pujantes que até desprezávamos a televisão. Acrescento à lista os comentaristas Mario Moraes, Mauro Pinheiro e Paulo Roberto Martins, o Morsa. Esses jornalistas esportivos nunca jogaram futebol, mas traduziam de forma técnica e vibrante os jogos. Luciano Lousada - Santos Santos É triste ver o que estão fazendo com Santos. A troca de mais um ponto tradicional no Boqueirão por um canteiro de obras evidencia uma verdade amarga: quando a vida de calçada se apaga, a cidade perde sua alma. A asfixia dos negócios locais não é uma lei natural do mercado, mas consequência de um modelo urbano distorcido. Cidades no mundo todo já provaram que é possível crescer preservando a escala humana. O futuro de Santos não está no adensamento sufocante dos espigões, mas na força dos bairros de uso misto, onde morar, trabalhar e caminhar coexistem em harmonia. Gilberto Pereira Tiriba - Santos