(Secretaria da Administração Penitenciária-SP) Delírio coletivo O cenário político brasileiro já não pode mais ser explicado apenas pela polarização. Ultrapassamos essa fronteira e entramos no terreno do delírio coletivo, onde a distorção da realidade virou método de sobrevivência política. A normalização de figuras como Flávio Bolsonaro no centro do debate nacional simboliza o desgaste moral de uma sociedade que, aos poucos, perdeu a capacidade de se indignar diante do absurdo. Vivemos uma falência ética exposta em praça pública. Quando cidadãos passam a proteger justamente aqueles que atacam seus próprios direitos e alimentam a divisão permanente, a política deixa de ser instrumento de transformação coletiva e se transforma em culto à personalidade, um fenômeno em que a vítima acaba defendendo o próprio algoz. Gilberto Pereira Tiriba - Santos Ele não Peço aos leitores que prestem atenção ao verdadeiro rombo nas contas públicas e tudo que o encantador de serpentes está fazendo no último ano de desgoverno. Nesta semana, um novo engodo foi criado: combater a violência que ele mesmo incentivou e acobertou por tanto tempo. Nunca na história deste país tivemos um povo tão assustado e apavorado como agora, com medo de sair de casa. Por isso, digo mais uma vez: ele não. Luiz Vinagre - Santos O alter ego As crianças, quando começam a aprender a fazer uso da linguagem, costumam pensar em voz alta, expressando seus pensamentos em palavras, mesmo quando não há ninguém por perto para ouvi-las. Com o alvorecer da imaginação criativa, elas têm uma tendência a conversar com companheiros imaginários. Um ego se forma e busca manter comunhão com um alter ego. Assim, a criança aprende muito cedo a converter o seu monólogo em um diálogo fictício, no qual esse alter ego responde ao seu pensamento verbal e à expressão dos seus desejos. Dessa forma, boa parte dos pensamentos dos adultos é mentalmente construída na forma de conversas. João Horácio Caramez - Santos Conforto Não é de hoje que percebo a dificuldade da sociedade em lidar com qualquer desconforto. Paradoxalmente, os últimos 30 ou 40 anos talvez tenham sido os mais favoráveis da história em termos de conforto, tecnologia e acesso. Ainda assim, sobram queixas, ansiedade e insatisfação. Evitamos relações difíceis, descartamos o que não corresponde ao ideal e tentamos remediar qualquer incômodo imediatamente. A oscilação natural da vida deixou de ser tolerada. A curva da recompensa desapareceu: transformamos a busca por prazer em uma reta ascendente. Se ontem frustrou, ele é apagado. Se hoje exige demais, deixa de servir. Só importa o agora e o agora sempre pede mais. Mais consumo. Mais validação. Mais exposição. Porque aquilo que não é mostrado parece não existir. Talvez estejamos construindo a sociedade do conforto: uma bolha existencial onde se evita a realidade em nome da própria anestesia. Ricardo Murça - Santos Vorcaro e a delação É angustiante a demora de Daniel Vorcaro e seu advogado para apresentarem à PF e ao ministro do STF André Mendonça a delação premiada prometida por eles. É vital isso seja feito, mostrando todos os beneficiados pela quebra do Banco Master e muitas outras falcatruas, inclusive os milhões de reais desviados que fizeram jus a fajutos empréstimos consignados dos aposentados do INSS. Quem permitiu esses desvios? Com certeza há muitos presidentes, diretores, funcionários de carreira e políticos envolvidos nisso. O dinheiro roubado do povo brasileiro precisa ser devolvido e quem errou deve ser preso e pagar pelos crimes cometidos. Para terminar, todas as honras a André Mendonça, que tem cumprido sua missão no STF. Rogério Luiz F. de Oliveira - São Vicente