Eleição (1) Votar em quem? Para quê? Se as eleições mudassem alguma coisa no Brasil, o pessoal de Brasília já tinha proibido o voto das pessoas. O negócio é não perder tempo. Fica a dica. Silvio Rodrigues - Santos Eleição (2) No Brasil atual, nossa tarefa não é imaginar um mundo melhor, e sim evitar o pior dos mundos. As pesquisas demonstram um alto percentual de cidadãos desinteressados pelas eleições de outubro, como se nada fosse interferir na sua vida pessoal. Ledo engano de uma alienação política que está precificada já para nosso futuro à curto prazo. “A pior democracia é preferível à melhor das ditaduras”, já dizia Ruy Barbosa. Direito ao voto, liberdade de expressão, imprensa livre, debate público e alternância de poder são inerentes ao processo democrático e não se tratam de meras palavras: elas representam a exata diferença entre liberdade e repressão. Juan Manuel Villarnobo Filho - Santos Eleição (3) Tenho observado em supermercados que a população vem reclamando do alto preço das mercadorias, com os carrinhos quase vazios devido ao aumento do valor dos produtos. Por outro lado, são divulgadas pesquisas de opinião que colocam o atual presidente em primeiro lugar nas pesquisas. Trata-se de um paradoxo: muitas famílias endividadas ainda querem um governo que não conseguiu preencher nem o básico em seus lares. Outro indicador evidente é o aumento da violência e da pobreza extrema, com mais pessoas em situação de rua. Os números não batem. Cristina Ferreira - Santos Radialista Ser radialista nunca foi apenas falar diante de um microfone. É transformar voz em presença, informação em consciência e silêncio em companhia. É entrar na casa, no carro, no trabalho e, muitas vezes, alcançar alguém justamente quando aquela pessoa precisava ouvir uma voz. Celebrado tradicionalmente em 21 de setembro e com data oficial em 7 de novembro, o Dia do Radialista presta uma homenagem a uma profissão que vai além de trabalhar com palavras – o radialista trabalha com presença. E quando uma voz consegue chegar onde o corpo não pode estar, ela deixa de ser apenas som e se transforma em memória. Jorge Fernandes - Santos Educação moral Diversas vezes, ao pensar em um tema para escrever, acabo chegando à mesma palavra: educação. Talvez porque seja uma das palavras mais sequestradas da nossa língua. Cada um lhe atribui um significado diferente. Há, ao menos, duas educações. A formal, oferecida pela escola, responsável pela formação intelectual, e a comportamental, construída pela família e influenciada pela sociedade, pela cultura e pelo exemplo cotidiano. Ainda assim, muitos pais insistem em transferir para a escola uma responsabilidade que é, antes de tudo, sua: ensinar respeito, limites, convivência e responsabilidade. Não raro, surge a saudade da Educação Moral e Cívica. Curioso é que muitos dos que defendem seu retorno tiveram essa disciplina quando estudantes. Se ela era tão eficaz, por que tantos deixaram de transmitir esses valores aos próprios filhos? Talvez a resposta não esteja apenas na escola. Talvez esteja na distância entre aquilo que aprendemos e o que realmente praticamos. Ricardo Murça - Santos Justiça injusta O dono de um comércio flagrou, por meio das câmeras, um indivíduo furtando suas mercadorias. Acionado o sistema de segurança, esse indivíduo foi interceptado e os objetos furtados acabaram recolhidos. Posteriormente, esse indivíduo entrou com uma ação, alegando constrangimento ilegal, e pediu indenização por danos morais. A ação foi deferida a seu favor. Isso é o que podemos chamar de justiça injusta. J. A. Nogueira de Sá - Santos