[[legacy_image_270298]] A humanidade vive hoje um conflito das chamadas gerações X, Y e Z mais perceptível do que em outras épocas. E isto se deve, principalmente, à amplitude dos meios de interação social gerados pelo avanço tecnológico. Os mais velhos, nascidos no período de 1960 e 1980, da Geração X, acompanharam o início da tecnologia, com o surgimento do computador, internet e celular, identificando, passo a passo, um mundo de transformações históricas e culturais, com influência no comportamento, costumes e valores. Os intermediários, da Geração Y, nascidos entre 1980 e 2000, já vieram no tempo das múltiplas tarefas, com maior compartilhamento de hábitos e costumes, propagando mais liberdade e ligados à inovação. A Geração Z, de 2000 a 2020, nasceu dentro da tecnologia, desconhece o mundo antes do computador, e traz no seu DNA o desejo da satisfação financeira, do enriquecimento pessoal e é contra estereótipos. Avós, pais e filhos, porém, convivem hoje diante de inúmeros desafios que tiram a paz de todos. Os mais idosos amargam uma aposentadoria concebida sem parâmetros sólidos e corroída pelas perversas regras do mercado. Os intermediários estão alcançando o início deste mesmo estágio de descanso e não sabem como lidar com esta realidade. E os mais jovens sequer são capazes de imaginar como estará o regime previdenciário nas próximas décadas. Numa análise quantitativa social da população entre 18 e 24 anos, percebemos algumas informações que aumentam nossa preocupação com o futuro. Os jovens desta faixa etária somam 18,9 milhões de eleitores no Brasil e abraçam 6,5 milhões de empregos no mercado formal de trabalho, respondendo por 6,64% da massa salarial em circulação na economia. Na Região Metropolitana da Baixada Santista, estes jovens somam 166.590 eleitores; 49.760 trabalhadores formais e representam apenas 42,84% das matrículas do Ensino Superior, com um contingente de 30.969 universitários. Há, porém, uma parcela de 19.730 jovens de 18 a 24 anos, em nossa região, que correm atrás do tempo perdido: 8.213 deles ainda cursam o Ensino Médio; 5.701 são alunos no ensino profissional e outros 5.816 tentam recuperar o conhecimento na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Estes jovens que já integram o mercado formal de trabalho também vivem o conflito de se estruturar numa carreira capaz de vencer as barreiras das transformações tecnológicas e isto só aumenta o nível de ansiedade pessoal e também de seus familiares. Não bastasse este cenário amplamente complexo e angustiante, há ainda uma enorme incerteza quanto à estabilidade futura, após vencida a tarefa de 35 anos de trabalho. Os indicadores previdenciários atuais são assombrosos. O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) convive com um déficit equivalente a 3,2% do PIB (Produto Interno Bruto), ou mais de R\$ 316 bilhões anuais e, para 2058, os estudos atuariais oficiais indicam um buraco de 10,9% do PIB, praticamente inviabilizando a sobrevivência do sistema. A Geração Z, com todas as suas vantagens tecnológicas, se vê desafiada a conceber formas de vencer as adversidades da sua época. A Geração Y ainda tenta superar os percalços impostos para seu próprio tempo, inclusive com a extinção de atividades, e a Geração X sobrevive observando a permanente redução dos proventos de aposentadoria. Como se vê, a tecnologia alcançou todas as gerações com vantagens e desvantagens. Resta-nos discutir um pacto que proteja nossos jovens com dignidade na velhice.