[[legacy_image_83561]] A expansão do crédito imobiliário no primeiro semestre impressiona pelo salto de 73% sobre igual período do ano passado, movimentando R\$ 121,7 bilhões no País, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O setor, além do agronegócio e do comércio on-line, ajudou a economia brasileira a suportar o impacto destrutivo da pandemia desde 2020. Juros baixos e novas modalidades de empréstimo, como a linha pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou com imóvel como garantia, estão por trás do avanço dos números do financiamento habitacional. Por isso, é muito importante que o governo continue com medidas pontuais que possam viabilizar a adesão de mais famílias. Principalmente, com a tendência de aumento dos juros das linhas da casa própria, algo inevitável devido à subida da taxa Selic, agora em 4,25% ao ano – há exatos 12 meses era de 2% e em dezembro se estima que chegará a 6,5% ou mesmo 7%. Há ainda a inflação, que pesa sobre os contratos pelo IPCA. Segundo reportagens, alguns bancos privados já começaram até a aumentar seus juros. Apesar disso, a Abecip acha que o crédito imobiliário não desacelerará porque as taxas continuarão mais baixos do que entre 2015 e 2016, quando a Selic atingiu o pico de 14,25% ao ano. Também há oferta abundante de imóveis novos e usados, o que pelo menos no curto prazo vai segurar uma disparada de preços. O crédito imobiliário é uma alavanca importante para a economia porque irriga a construção de recursos. Geralmente a unidade comercializada na planta ou recém-construída é sustentada pela venda dos usados para compradores menos abastados. Por outro lado, a transformação da dívida imobiliária em títulos reinjeta o dinheiro na própria habitação. Dos R\$ 121,7 bilhões emprestados no primeiro semestre, R\$ 97 bilhões utilizaram recursos da caderneta de poupança e R\$ 24,7 bilhões do FGTS. A primeira fonte, por ter juros mais altos e poucas regras restritivas, é mais usada pelas classes média e alta e a segunda pela baixa renda. Entretanto, é preciso corrigir uma falha histórica na habitação no País – a falta de moradia de qualidade para os mais pobres que vivem nos bolsões de miséria ou bairros afastados das grandes e médias cidades. O programa Minha Casa, Minha Vida chegou a abastecer essa faixa com subsídios elevados, mas sem recursos essa parte do programa foi descontinuada durante o Governo Dilma. Esse público também não está sendo atendido como se espera pelo Casa Verde e Amarela, com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, admitindo no lançamento do programa que não havia recursos para um atendimento em larga escala. O atual governo deveria ampliar as conversas com o setor privado, pois há construtoras especializadas em baixa renda e experientes em problemas como inadimplência e custo de terrenos.