( Divulgação) Foi uma despedida emocionante. Não faltou reconhecimento do mercado, presente em massa na cerimônia, dos seus pares que permanecem na diretoria colegiada, dos servidores da Casa, de sua família e de dezenas de mulheres que foram por ela inspiradas. Na última terça-feira, Flávia Takafashi se despediu da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O mandato termina oficialmente na próxima quarta-feira. Flávia foi a segunda mulher a ocupar a diretoria da Antaq, a primeira como titular com mandato fixo. Servidora da casa há 16 anos, ingressou como especialista e ocupou posições relevantes, como as superintendências de Fiscalização, Outorga, Regulação, além de atuar como assessora da diretoria. Teve uma passagem pelo poder concedente, que lhe rendeu a indicação para o cargo na diretoria. Em seu discurso, fez questão de exaltar o então secretário nacional de Portos Diogo Piloni, com quem trabalhou no antigo Ministério da Infraestrutura. Ela foi uma diretora técnica que honrou o corpo técnico da casa e trouxe previsibilidade ao mercado. Suas decisões não surpreendiam; eram pautadas pela estabilidade regulatória, pela eficiência operacional e segurança jurídica, sempre convergentes com jurisprudência consolidada da agência. Soma-se a isso uma conduta ética irretocável. Mulher de coragem e estudo, que seguiu as lições que recebeu de sua mãe, também homenageada com emoção em seu discurso final. Advogada de formação, manteve-se em atualização, fazendo cursos, pós-graduações, até mestrado. Participou ativamente das discussões do setor, não se furtando a comparecer e debater de forma franca todos os temas da regulação portuária. Como relatora, conduziu de temas de alta relevância, como a discussão do SSE/THC2, leilões de terminais, do primeiro sandbox regulatório do setor e a regulação da demurrage – onde combateu abusos e fez jurisprudência ao afastar a responsabilidade do despachante aduaneiro. Não se incomodava em restar vencida em uma votação, registrando de forma técnica e clara sua posição. Foi, também, aliada da pacificação de conflitos, buscando consensos e mediando situações críticas dentro do setor. Flávia Takafashi deixa lições e legados, que merecem nossa reflexão. Um deles é a postura técnica respaldada no conhecimento prático das operações, nas normas e decisões do próprio colegiado – que fique de lição. A agência reguladora não deve desviar de sua função precípua: garantir a movimentação de forma eficiente, segura e regular. Para tanto, é necessária a estabilidade regulatória, sem arroubos, invencionices ou casuísmos para atender interesses particulares em detrimento de posições consolidadas. Quanto menos o regulador for “percebido”, melhor estará servindo ao setor. A vaga aberta promete ser disputada e não escapará da barganha política em ano de eleições presidenciais. Registre-se que a indicação política não é um mal em si, se a legislação for cumprida e o indicado gozar dos atributos técnicos indispensáveis. A conferir e torcer. Flávia Takafashi deixa também um exemplo de coragem. Além do rigor técnico, foi uma das principais vozes pela promoção da igualdade de gênero, pelo fortalecimento da liderança feminina, inclusão e diversidade no setor. Convidou outras a sentarem-se à mesa, abrindo espaço e inspirando muitas mulheres a acreditarem no seu próprio valor – o que ficou marcado no vídeo de homenagem exibido em sua despedida. Liderou a criação da cartilha contra o assédio sexual no setor e não hesitou ou fraquejou um só instante na defesa de suas convicções. Sempre com coragem. Na onda que vem atraindo servidores qualificados para o mercado privado, não tardará para assistirmos Flávia ocupar uma nova posição do lado de cá do balcão, onde desfilará sua coragem e competência. Obrigado pelo grande serviço prestado e até logo, Flávia Takafashi!