[[legacy_image_159094]] Os mais de 30 países que visitei, as diferentes culturas que conheci, as milhares de histórias que contei, ao longo da carreira de jornalista, me fizeram compreender melhor o mundo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quando, há três anos, me lancei no desafio de participar da política nacional e de representar os brasileiros, acreditei que estivesse preparada. Confiei em meus 25 anos de experiência, vendo o melhor e o pior da sociedade. Calejada para encarar qualquer tipo de problema e qualquer tipo de gente. De fato, aprendi logo a dinâmica do legislativo federal. Não me acovardei com as tentativas de intimidação. Voto defendendo o que considero justo, mesmo que alguns não concordem. Encarei também políticos oportunistas, que apelam para ideologias só quando lhes convém. Abracei todas as lutas do litoral de São Paulo e Vale do Ribeira, regiões que me elegeram. Sou aguerrida com minha equipe de trabalho e mantenho todos comprometidos com o que acredito ser a essência da política: promover transformações na sociedade. Pode ser uma ponte, um conjunto habitacional, um aeroporto, uma escola, o objetivo é sempre melhorar a vida das pessoas. Há um terceiro ponto, porém, para o qual, confesso, tenho muita dificuldade de assimilar: lidar com o tipo de gente que, infelizmente, ainda domina o cenário político em todos os níveis. Uma concentração de pessoas alucinadas pelo poder, invejosas, falsas e sem palavra. Um ambiente nocivo, poluído por líderes sem escrúpulos que manipulam a opinião pública e perpetuam o jogo viciado que mantêm eleitos os que não têm compromissos com a boa política. A população, às vezes, não se dá conta de que esse ‘mecanismo’ é alimentado por uma parte da sociedade que, na teoria, abomina esse sistema e, na prática, ajuda a manter. É preciso refletir que a corrupção, as negociatas, as trocas de favor NÃO são exclusividade dos eleitos. Ainda há pessoas, infelizmente, que enxergam o processo eleitoral como uma chance de conseguir resolver sua ‘necessidade’ imediata. Veja só: estamos no período que antecede a campanha de 2022 e este tipo de monstro famigerado do oportunismo já está à solta, comprando e exigindo lealdade. É desse jeito que a tal ‘máquina’ aumenta sua teia de dependentes. Pessoas de todas as profissões, que exercem algum tipo de liderança e influência são assediadas nesse processo de compra de consciências. Os que cedem e compactuam com o esquema pouco se importam com o trabalho que o político fez ou entregou. Estão à procura do gesto e do benefício particular. Na disputa contra esse poder econômico, tenho desvantagem, pois não participo desse jogo. Em 2018, pulei um muro alto e fui eleita com os votos daqueles que queriam alguém fora do sistema, diferente. Mais uma vez, confio nas pessoas que não compactuam com a hipocrisia. Nas que têm consciência de que não é possível exigir honestidade, enquanto as motivações para o apoio a esse ou aquele candidato forem favores, presentes, cargos e promessas de emprego que nem sempre serão cumpridas. O voto foi um direito extremamente importante, conquistado por nós. É, sem dúvida, o maior e o melhor meio para mudarmos essa realidade. Precisamos nos despir dos interesses individuais e priorizar o coletivo, o todo. Não adianta esperar por uma nova forma de fazer política, se não refletirmos e não convencermos aqueles que ainda se rendem diante de favores. O voto é secreto e precisa ser também com a alma!