(Imagem ilustrativa/Pexels) “Ai! Cai Um mundo Em tuas mãos” Zeferino das Matas Poeta e artesão de aforismos É provável que esta crônica nada tenha a ver com o que está posto acima, palavras desfolhadas ao vento, na hipótese de que nossos humanos movimentos não sejam todos aleatórios, apenas com a parecença de lógica, a causa e efeito nossa de cada dia, o começo, meio e fim de tudo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Afinal, o que tem a ver o mundo que nos cai nas mãos e os arquivos da Aeronáutica, recentemente liberados ao público, com relatos de pilotos de avião sobre o aparecimento de óvnis nos céus do Brasil? Nada, deve ser a resposta cartesiana. Mas se penso, logo existo, existir também é desgarrar-se das amarras do próprio pensamento e ir além. Pois voei com essas dezenas de pilotos nas descrições das luzes bailarinas ao redor de suas aeronaves. Em um dos casos, o óvni viajava a uma velocidade dez vezes maior do que a de um avião comercial. Em outra situação, uma luz de cor branca alaranjada, que aumentava e diminuía de tamanho, pairava sobre Porto Alegre, próximo ao Aeroporto Salgado Filho. Outro relato dava conta de quatro a cinco objetos com luzes brancas intermitentes, cuja velocidade era oito vezes a do som, no mínimo. Os objetos faziam movimentos circulares, “por vezes formando um círculo, aproximando e distanciando um do outro”, está em um dos relatos. E se nessas luzes houvesse mesmo outros seres tão existentes — e pensantes — como os pilotos, você ou eu? Pelas descrições dos comandantes, em áudios cheios de estupefação e maravilhamento, é impossível ser diferente: nenhum ser humano é uma ilha, tampouco o é a Humanidade. Aliás, se nós somos a Humanidade, eles constituirão o quê? Uma Extrahumanidade? Ou terão de nós outro nome? E eles: como se nomeiam? Podemos, ou até devemos, chamá-los de irmãos? Terão boca, nariz e olhos? De que cor, de que tipo? E a pele: será verde? Terão antenas nas cabeças? Uma coisa é certa: quem ou que estimula assim a imaginação humana pode ir muito mais longe do que as distâncias das galáxias. Afinal, nós não conseguimos — ainda — retribuir as visitas. Mas podemos, como Zeferino das Matas, poetizar a vida onde quer que ela esteja: nos confins do cosmos ou no apartamento ao lado. Serão eles também capazes da poesia? Se estivermos próximos na alma, por certo que sim. Mas devem fazer lá a poesia deles: vai saber como vivem o amor? Por enquanto, a nossa poesia é nosso cartão de visitas. E que muitos mundos caiam em nossas mãos.