(Criado por IA) Acabamos de retornar de uma viagem ao Peru, com direito a lhamas, alpacas, vicunhas, guanacos, cores e aromas, nas comidas e no ar, os temperos próprios da vida andina, e, claro, boas doses de pisco. A despeito das explicações academicamente adestradas dos guias, também constatamos com nossos próprios olhos que um povo sem conhecimento da roda, sem usar o ferro (utilizavam ouro, prata, cobre e estanho) e sem um sistema de escrita seria incapaz de esculpir pedras imensas para se encaixarem como peças de montar, sem argamassa, como ocorre nos muros de Cusco, onde passei um dia inteiro tentando enfiar minha lâmina de barbear entre as pedras. Ou, ainda, depois de esculpi-las, transportar blocos de até duzentas toneladas por vinte quilômetros para construir o templo de Sacsayhuaman. Já em Ollantayatambo, os tótens maiores, que formam o Templo do Sol, pesam meras cem toneladas, foram arrastadas por apenas sete quilômetros, mas erguidas uns oitenta metros morro acima. É a metade da altura do Monte Serrat, o que se constata até no número de degraus para os visitantes com fôlego de puma: 250, contra 417 da nossa Ollantaytambo santista. Porém, o aclive é bem mais íngreme por lá. Mas é Machu Picchu que desafia de forma mais clara uma das suposições acadêmicas, de que o povo conhecido como inca já encontrou as ruínas e as aperfeiçoou. Na verdade, parece o contrário: na cidade sagrada, as pedras finamente trabalhadas estão sempre embaixo de outras, toscas, sugerindo claramente terem sido acomodadas antes. Ou seja, parece ter ocorrido uma degeneração no processo de construir. “Alienígenas”, diriam alguns. Eu iria mais longe: mistério. Pois diante dessas majestosas obras não só do Peru, mas também de outras partes do mundo, as explicações oficiais soam como tentativas falhas naqueles jogos infantis, em que se devem combinar as peças geométricas com suas figuras correspondentes. Enfim, não tenho a pretensão de refundar a história humana, nem sei por que discorri sobre esses assuntos na crônica: só queria mesmo falar dos ímãs de geladeira. Vai ao Cristo Redentor? À Torre Eiffel? À Muralha da China? Pois lá estarão os ímãs de geladeira esperando-o, feliz viajante. Não há lugar turístico no planeta que não tenha cunhado os seus exemplares. Eu até suspeito de que o turismo foi criado como um subproduto para disseminar os ímãs, os grandes avatares econômicos dessa indústria. Uma pesquisa de fonte duvidosa, publicada pela primeira vez agora, nesta crônica, revela que a população planetária de ímãs já é de 43 bilhões de exemplares — a maior parte deles morando em refrigeradores brasileiros. Outro ponto: por que a geladeira? Por que não se fazem ímãs de fogão? Ou de carro, para serem levados a passeio? Aliás, reza a lenda, ao inventar a primeira geladeira elétrica moderna, a francesa Florence Parpart sonhou uma noite que a novidade deveria ser feita de ferro e não de outro material. Ela não sabia bem a razão. Mas nós sabemos: para grudar os ímãs, que seguem impávidos em sua conquista do mundo. Por último, e mudando de assunto de novo, devo o cérebro, o coração, o pulmão e o esqueleto dessa viagem à minha Lu, que durante meses se travestiu do espírito explorador e perscrutou mapas, assistiu a vídeos, esmiuçou panfletos, consultou oráculos, tudo para que esta experiência peruana rendesse frutos eternos, e não só na memória: que o diga a porta da geladeira lá de casa...