O setor portuário brasileiro passa por uma revolução tecnológica impulsionada pela automação e inteligência artificial (IA), assim como inúmeros segmentos (Banco de imagens) O setor portuário brasileiro passa por uma revolução tecnológica impulsionada pela automação e inteligência artificial (IA), assim como inúmeros segmentos. Para que essa transformação seja eficaz, é essencial investir na capacitação de trabalhadores em habilidades técnicas e comportamentais. No centro dessa mudança está o Porto de Santos, o maior do Hemisfério Sul, que enfrenta desafios tecnológicos, políticos e sociais. Apesar de gerar mais de 60% da receita municipal, o Porto é visto como problemático pela população de Santos, devido ao barulho, poluição e trânsito. Além disso, operadores de granel sólido, líquido, contêineres e carga geral competem pelo uso das mesmas instalações, aumentando a complexidade de gestão. Meu querido amigo e especialista em Gente & Gestão Hudson Carvalho propõe uma solução inovadora: a criação da Universidade Corporativa Portuária, financiada por empresas do setor, em parceria com o governo. O objetivo é preparar trabalhadores para os desafios da automação, tornando o Porto de Santos um modelo a ser replicado nacionalmente. A proposta vai além da formação de mão de obra. O Porto de Santos seria piloto de um programa educacional expandido para outros portos. Isso solucionaria as deficiências do modelo de financiamento, dependente do Fundo da Marinha Mercante, e beneficiaria as empresas, que formariam profissionais mais qualificados. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) desempenha um papel essencial na mediação dos interesses operacionais no porto, garantindo que as categorias coexistam de forma produtiva. A regulação eficiente permite mitigar conflitos, superposição dos interesses particulares e maximizar a eficiência do Porto de Santos. Estudos mostram que a automação exige um desenvolvimento contínuo das habilidades dos trabalhadores. Adaptabilidade e decisões estratégicas são fundamentais em um ambiente automatizado. A implementação desse modelo de capacitação aumentaria a produtividade e criaria uma cultura de cooperação entre os operadores. A convergência de interesses entre trabalhadores e empresas é crucial para transformar o porto em referência de inovação, que é ainda muito pouco e mal explorada no sistema portuário nacional. Precisamos fomentar as startups e as incubadoras com o propósito de incrementar a velocidade da inovação e das novas metodologias e tecnologias. Além disso, a relação entre o porto e a cidade de Santos deve ser melhorada. O Porto precisa reduzir impactos ambientais e sociais, como ruído, poluição e tecnologias sustentáveis – incluindo a mobilidade urbana, para ser visto como um ativo positivo pela comunidade. Melhorias na infraestrutura são essenciais para garantir o apoio ao desenvolvimento sustentável. A modernização do Porto de Santos, por meio de capacitação técnica e comportamental e uma regulação eficiente, é fundamental para manter a competitividade do Brasil. A Universidade Corporativa Portuária, proposta por Hudson, pode transformar o Porto de Santos em um modelo para o sistema portuário nacional, combinando inovação e desenvolvimento humano. *Consultor sênior de Infraestrutura na Alvarez & Marsal