(FreePik) Durante minha participação no TOC Américas, realizado no Panamá, uma pergunta recorrente chamou minha atenção: "Por que as empresas brasileiras não estão expondo aqui?" Inicialmente, não havia notado essa ausência, mas a indagação levantou uma questão importante: a limitada presença das empresas brasileiras em feiras internacionais. Feiras como o TOC funcionam como vitrines globais, reunindo profissionais de diversos países e oferecendo oportunidades únicas para a exposição de produtos e expansão de mercados. Contudo, a ausência de empresas brasileiras nesses eventos vai além de uma simples falta de interesse; ela reflete um desafio mais complexo: a baixa competitividade do Brasil no cenário internacional. De acordo com o ranking de competitividade global do International Institute for Management Development (IMD), o Brasil ocupa a 62ª posição entre 67 países avaliados, sua pior colocação em anos. Um dos principais entraves identificados no relatório é o baixo investimento em ciência e tecnologia, fator que impacta diretamente a capacidade do país de inovar e competir. De fato, estudos apontam que a competitividade de um país está fortemente ligada à sua capacidade de fomentar pesquisa acadêmica de qualidade. A OCDE, por exemplo, destaca que os países que lideram o crescimento econômico são aqueles que investem em pesquisa e criam condições para transformar esses avanços em inovação prática e empreendedorismo. Embora mudanças estruturais nas áreas de educação e infraestrutura sejam essenciais para reverter esse quadro, avanços podem ser alcançados por meio de iniciativas mais acessíveis, como incentivar a colaboração entre universidades e empresas. Essa parceria, tem se mostrado uma das estratégias mais eficazes para acelerar a criação de novas tecnologias e melhoria de processos, impactando diretamente na competitividade do país. Nesse contexto, tive a oportunidade de dialogar diretamente com as lideranças empresariais do setor sobre como unir essas duas esferas de forma prática e eficiente, durante o 2º Congresso Nacional Integra Portos (CNIT), realizado de 27 a 29 de novembro. No debate, em que atuei como mediador, questionei os painelistas sobre o que seria necessário para que as empresas passassem a buscar na academia soluções para seus desafios. As respostas revelaram um problema recorrente: a desconexão entre as demandas do mercado, que exige soluções para problemas reais, e o enfoque das universidades, frequentemente voltado para projetos menos aplicados. Além disso, como bem destacado por um painelista, a pesquisa acadêmica precisa ir além da publicação de artigos, buscando efetivamente gerar iniciativas empreendedoras com impacto concreto no mercado e na sociedade. Por fim, a questão mais relevante talvez não seja "Por que não há empresas brasileiras aqui?", mas sim "O que precisamos fazer para que elas estejam?". A resposta passa por reconhecer as potencialidades locais e criar um ambiente que valorize o empreendedorismo, a inovação e a pesquisa. A boa notícia é que as empresas estão cada vez mais dispostas a apoiar esse movimento, o que abre portas para um fluxo crescente de colaboração entre o setor privado e a academia.