[[legacy_image_222828]] Em julho deste ano, eu escrevia nesta coluna sobre uma possível crise no setor de Tecnologia da Informação (TI). Os primeiros indícios foram as demissões em massa de várias startups, bem como o congelamento de projetos de gigantes da tecnologia. Especulei que as demissões em massa dessas gigantes viriam em seguida e, infelizmente, eu estava certo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na última semana, Meta (a dona do Facebook, do Instagram e WhatsApp) anunciou a demissão de 11 mil funcionários. O próprio fundador e CEO da empresa, Mark Zuckeberg, fez o triste anúncio. Corajosamente, assumiu seus erros que, basicamente, foram a crença de que o crescimento vertiginoso ocorrido durante a pandemia iria se manter numa espécie de “novo normal” e na caríssima aposta feita no metaverso, tecnologia que parece ainda distante demais da nossa realidade. Somou-se a isso uma restrição da Apple aos apps da Meta por questões de privacidade. Esses e outros fatores menores culminaram no motivo real das demissões: US\$ 50 bilhões de prejuízo com o metaverso e queda do lucro pela metade. Não foi a única notícia ruim: Amazon já anunciou plano de demissão de 10 mil funcionários. Pouco antes, o Twitter demitiu 3.700 funcionários. A Microsoft também anunciou plano de desligamento de 1.800 funcionários. Além de demitir, todas elas suspenderam novas contratações. Mas o que causou essa crise? Na minha opinião, otimismo demais! Os gestores sabiam que a humanidade tinha acabado de sair de uma crise sem precedentes, e que governos do mundo inteiro “imprimiram dinheiro” para tentar conter os malefícios do lockdown. E há uma guerra em andamento na Europa! Todos sabem que o aumento artificial de oferta de moeda causa inflação, que foi potencializada pela guerra, que afetou e ainda afeta todo o mundo, principalmente o setor energético da Europa. Esse otimismo do setor de TI deveria estar mais contido nessas circunstâncias, mas, pelo contrário, foi comemorado e estimulado por quase todo o mundo. Os valores das ações das gigantes da tecnologia foram os que mais valorizaram no período. Mas e agora? O que vai acontecer? No curto prazo, acho que nada. É preciso entender que essas organizações sofrem mais com a inflação, porque todas elas trabalham alavancadas em empréstimos. Como o combate à inflação significa aumento de juros, os negócios alavancados ficam economicamente inviabilizados. Por isso que essas empresas são as primeiras a demitir. A boa notícia (se é que podemos usar a palavra “boa”) para o mercado de TI é que ele está muito, muito carente de profissionais qualificados. Sabe-se que a maioria dos profissionais dispensados nem são de TI, mas de áreas administrativas, principalmente de RH. Então, creio que haverá um pequeno equilíbrio na oferta e demanda dos profissionais de TI. Isso porque ainda há muita demanda reprimida que precisa ser atendida com crise ou sem crise. Para quem poupou, será uma oportunidade para investir em novas soluções e tirar proveito da crise. E o setor portuário encontra-se nessa privilegiada situação. Foi uma área que cresceu muito durante a crise e agora tem a possibilidade de investir em soluções tecnológicas que otimizem operações e ganhem mais escala. Acho que deve-se aproveitar o momento. Não acredito que irão faltar vagas na área de TI. Pelo contrário, acho que será uma das poucas a continuar em alta nos próximos anos. Então, quem pensa em entrar nesse valoroso mercado deve mergulhar de cabeça.