(Gerada por IA) Enquanto o setor portuário brasileiro debate automação física e digitalização de documentos, uma lagosta digital está conquistando o mundo da tecnologia. Ela é o mascote oficial do OpenClaw, o software de inteligência artificial criado em novembro de 2025 pelo engenheiro austríaco Peter Steinberger. O projeto, que nasceu como Clawdbot e acumulou em menos de dois meses mais de 100 mil estrelas no seu repositório, que é de código aberto, sinaliza uma mudança de paradigma. Ao contrário de assistentes conversacionais como o ChatGPT ou o Gemini, que são projetados para conversar, o OpenClaw foi desenvolvido para agir. Ele não apenas sugere tarefas, mas as executa: envia e-mails, organiza arquivos, cria planilhas, preenche-as e salva no seu computador. O software usa múltiplas IAs diretamente da máquina do usuário, conectando-se a aplicativos de mensagem como WhatsApp, Telegram e outros. O usuário envia um comando em linguagem natural, e o agente executa, podendo navegar na internet, preencher formulários, rodar scripts e acessar arquivos locais. É, em essência, um estagiário digital que trabalha 24 horas por dia, 7 dias por semana. As possibilidades para o Porto de Santos são sedutoras: o agente poderia monitorar automaticamente a chegada de navios, cruzar dados com a programação de atracação, alertar a equipe de operações sobre conflitos de janela e redigir e-mails para armadores solicitando ajustes. Ele também poderia verificar diariamente novas exigências documentais da Receita Federal, compilando as mudanças e distribuindo resumos para os despachantes. No entanto, antes da adoção, é preciso ter sobriedade técnica devido a grandes desafios. Primeiro, o custo: embora o OpenClaw seja gratuito, ele depende de modelos de linguagem pagos (como ChatGPT, Gemini ou Grok) que podem gerar contas de milhares de dólares mensais, e a alternativa de usar IAs gratuitas de qualidade exige supercomputadores caríssimos. Segundo, a velocidade: tarefas complexas ainda levam minutos para serem concluídas devido à latência das APIs, o que impede a substituição de sistemas de tempo real. Terceiro, e mais importante, a segurança: por design, o OpenClaw exige acesso profundo ao computador, podendo ler/escrever arquivos, executar comandos e acessar contas de e-mail e mensagens, tornando o estrago potencial imenso se for comprometido. Vulnerabilidades como injeção de prompt e exposição de credenciais já foram identificadas massivamente. Há, ainda, o risco de “alucinações”, com o agente inventando informações ou executando ações equivocadas com confiança, podendo causar prejuízos significativos. É tentador olhar para o OpenClaw e enxergar o embrião de uma inteligência artificial geral, a mítica AGI que os entusiastas prometem há décadas. Não é. O que temos aqui é uma orquestração sofisticada de ferramentas existentes, uma interface elegante que conecta modelos de linguagem a ações no mundo real. Frameworks semelhantes, como o AutoGPT e o LangChain, existem desde 2023. É fundamental compreender que o OpenClaw não é uma inteligência artificial mais avançada, mas sim uma orquestração sofisticada de ferramentas e modelos existentes. Para o setor portuário, a lição é dupla: quem ignorar essa onda de automação cognitiva ficará para trás, mas a adoção precipitada e sem governança adequada pode transformar o agente em um cavalo de Troia. A recomendação é começar em um ambiente isolado, com permissões mínimas, longe de dados sensíveis. Monitore obsessivamente os logs de atividade. Acima de tudo, não confie cegamente na lagosta e procure a ajuda de um profissional. A automação inteligente chegará ao Porto de Santos, disso não há dúvida. A questão é se estaremos preparados para colher seus frutos ou seremos atropelados por suas garras.