[[legacy_image_16167]] O futebol é dinâmico e sabemos disso, mas nessa semana os deuses da bola capricharam. Tanto que a conquista da sexta Liga dos Campeões da Europa pelo Bayern de Munique, no último domingo (23), parece ter ocorrido há três meses. Tudo por conta da avalanche provocada pelo pedido de saída de Messi ao Barcelona. Admito que jamais jamais imaginei testemunhar algo do tipo, mas o fato é que esta notícia terá dois efeitos imediatos: a prova definitiva do quanto o camisa 10 é um gênio e um desafio infinitamente maior ao Barça que a ruptura de 11 anos atrás, quando o clube dispensou Ronaldinho Gaúcho. Por incrível que pareça, há quem ainda coloque em dúvida os feitos do craque argentino pelo fato dele nunca ter jogado com outra camisa. Uma bobagem sem tamanho que provavelmente ele fará virar pó num piscar de olhos. Em especial se for para o Manchester City, onde terá a chance de jogar ao lado de feras como o meia belga De Bruyne, o atacante compatriota Agüero e o avante inglês Sterling. Além de tudo, poderá se reencontrar com o técnico que melhor soube aproveitar seu talento: Pep Guardiola. Com essa mudança, Messi ficará mais próximo de conquistar a Champions, algo que não ocorre desde 2015 devido a sucessivos fracassos do Barça - teve as viradas histórias sofridas para Roma e Liverpool e a goleada inacreditável de 8 a 2 para o Bayern na semana retrasada. Com 33 anos, chegou a hora de alguém do porte de Guardiola lhe ajudar a encontrar uma função em campo que possibilite aliar o talento acima de qualquer suspeita à idade, cada vez mais avançada. No clube espanhol, convenhamos, ele era obrigado a carregar um piano extremamente pesado em campo, em especial de alguns anos para cá. Fez "só" 31 gols na temporada 2019/2020, mas anotou 51 na anterior, botou 45 bolas na rede na 2017/2018, outras 54 na 2016/2017 e 41 na 2015/2016. Isso sem contar as assistências que deixaram por dezenas de vezes seus colegas na cara do gol. Na dúvida, era sempre bola no pé de Messi para ele tirar um coelho da cartola. Se o argentino reúne as condições para se adaptar rapidamente a qualquer time, o mesmo não se pode falar do Barcelona. Primeiro porque ele é craque no que faz, já os cartolas do time só colecionam erros nos últimos anos. O principal deles? Gastar o dinheiro da venda do Neymar em nomes que não corresponderam, como Dembelé, Philippe Coutinho e Griezmann - três decepções difíceis de serem esquecidas. Enquanto deveria quebrar a cabeça para não deixar Messi escapar ou pensar em um substituto capaz de suprir parte do vácuo no clube, o presidente do Barça, Josep Bartoméu, é alvo de protestos da torcida e vê vários pedidos de renúncia ao cargo. Contratou um técnico para reorganizar o vestiário, o holandês Ronald Koeman, mas fazê-lo perder o pilar que qualquer time do planeta rezaria para ter no elenco é inacreditável e beira o amadorismo. O Barcelona não acabará, mas foi com Messi que ganhou quatro das cinco Champions que possui e se consolidou como um time global. Não jogar no lixo esse legado será o maior desafio em décadas. Haverá como superá-lo?