São Paulo tomou gosto pelo fracasso

Tricolor Paulista chegou a sonhar com o título do Brasileirão, mas termina a temporada em crise novamente

Por: Heitor Ornelas  -  12/11/18  -  12:15
Diego Aguirre foi demitido do São Paulo depois do empate com o Corinthians
Diego Aguirre foi demitido do São Paulo depois do empate com o Corinthians   Foto: Luis Moura/Folhapress

O ano de 2018 termina como começou para o São Paulo: time em crise, troca de técnico, jogadores contestados, inseguros... Nada a que o clube não tenha se acostumado nos últimos dez anos, na verdade. Não por acaso, quando a equipe liderou o Campeonato Brasileiro por oito rodadas foi tratada como surpresa, como se fosse um América-MG ou um Ceará guardando a vez para aquele que virá a ser o campeão.


A demissão de Diego Aguirre, justa ou não, é o capítulo mais recente de um longa-metragem que tem dez anos de duração, sem prazo para terminar. Após a conquista do tricampeonato brasileiro, em 2008, o São Paulo só ganhou a Sul-Americana de 2012. E o que explica tamanha seca? Muitas são as razões, mas a principal delas é que o clube tomou gosto pelo fracasso. As derrotas não causam o incômodo que deveriam no Morumbi, nem trazem as transformações necessárias. As eleições presidenciais no São Paulo são definidas por cerca de 300 conselheiros, quase todos amigos de longa data e, aparentemente, satisfeitos com as glórias que vêm do passado e nele ficaram.


Leco não está à frente do São Paulo à toa. Ao assumir o clube, ele realizou o sonho de chegar à presidência, mas em nenhum momento refletiu se possuía capacidade para liderar uma agremiação que não pode se contentar em fugir do rebaixamento. Sem projeto nem tato para o futebol, entendeu que o caminho seria se cercar de ídolos. Primeiro vieram Rogério Ceni e Pintado, e depois o trio Raí, Ricardo Rocha e Lugano. Todos sem qualquer experiência para a missão, apenas o nome pesado.


Ainda que o trabalho de Raí e companhia mereça contestação, o maior problema é o status quo são-paulino. Enquanto o clube não admitir que, no momento, é inferior à maioria dos rivais, não vai se convencer de que precisa trabalhar adequadamente para se recuperar. E vai continuar errando, à espera de um milagre.


Com a saída de Aguirre, André Jardine, que fez sucesso na base, vai comandar o time nos últimos cinco jogos do ano. Pode até dar certo, a vaga na Libertadores tem chance de se confirmar, mas, a médio e longo prazo, nada indica sucesso. Afinal, a receita é a mesma que mandou o doente para a UTI.


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