Procura-se um treinador

Em busca de um novo comandante para o time, dirigentes santistas têm que assumir o risco da aposta

Por: Régis Querino  -  12/12/18  -  22:38

A pouco mais de um mês do início do Paulistão, o Santos continua em busca de um comandante. Missão tocada há pelo menos três semanas pelos dirigentes santistas. E assunto que tem consumido a paciência do torcedor alvinegro, diante da demora da diretoria em fechar com um profissional.


Em meio a uma enxurrada de especulações, uma coisa é certa. Nenhum nome será unanimidade. Pode-se cogitar até Pep Guardiola, que logo aparecerá alguém a dizer que o técnico não daria certo por aqui, pela falta de conhecimento do futebol brasileiro.


Mas, caindo na real, todos os treinadores citados nos últimos dias surgem como apostas de risco. Até Abel Braga, tido como plano A do clube, que acabou acertando com o Flamengo. Apesar do currículo vitorioso, o último título de Abelão como técnico foi com o Inter, em 2014. Um modesto Campeonato Gaúcho.


Analisando o andar da carruagem peixeira, fica evidente que os cartolas apostavam todas as fichas em Abel. Não contavam que Renato Gaúcho permanecesse no Grêmio, descartando a concorrência do Flamengo pelo treinador carioca. Com a reviravolta, foram pegos de surpresa e o plano A virou fumaça.


Virando a página, o plano B passou a ser, na realidade, uma lista de nomes: Zé Ricardo, Vanderlei Luxemburgo, Dorival Júnior, Muricy Ramalho, Dunga... incluindo também gringos, como os argentinos Jorge Sampaoli e Ariel Holan. Daí tamanha a indecisão.


O risco da aposta


Não há um único candidato entre os listados acima que inspire confiança da maioria dos membros do Comitê de Gestão, a ponto de que eles assumam o risco da aposta.


Zé Ricardo, cotado após a queda de Jair Ventura, é tido por muitos como inexperiente. Luxemburgo é visto como a laranja que já deu suco. Dorival dá a impressão de mais do mesmo. Muricy e Dunga soam como escolhas insanas.


O primeiro, por ter encerrado a carreira por problemas de saúde, assumindo um cômodo e vistoso posto de comentarista do SporTV. Já o segundo, por ter parado no tempo, deixando no passado os seus melhores momentos como jogador.


Quando chegamos aos gringos, a aposta dobra. Sem conhecimento do dia-a-dia do futebol brasileiro e de como funciona a engrenagem dos clubes e o nosso calendário maluco, Sampaoli e Holan seriam candidatos ao fracasso. Principalmente em um país onde tudo é cobrado a curto prazo.


Tão certo como o Santos precisa de um técnico o mais rápido possível é o fato de que, seja quem for, vai chegar por aqui sob grande pressão. De uma torcida que, apesar de pouco presente aos estádios, é muito exigente em relação a resultados.


Enquanto o relógio corre contra o Santos, outros nomes devem surgir para engrossar a lista. De candidatos e de apostas. Para quem viveu um ano atribulado e está precisando mostrar serviço aos torcedores, o presidente José Carlos Peres vive um dilema. Sem direito a blefe, tem que apostar. E assumir o risco.


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